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FRANCISCO ALMEIDA LEITE e PAULA SÁ
Rescaldo. Líder social-democrata deixou vários recados às oposições internas no Conselho Nacional
Manuela Ferreira Leite foi ao Conselho Nacional deixar algumas mensagens às suas oposições internas e deixou de fora do seu discurso os principais temas da actualidade. Nem uma palavra sobre a candidatura de Pedro Santana Lopes à Câmara de Lisboa, anunciada nesse dia. Nem uma palavra sobre a votação do Estatuto dos Açores, cuja alteração do sentido de voto foi conhecida pouco antes da reunião com os conselheiros. Nem uma palavra sobre as faltas dos deputados.
A presidente do PSD optou por fazer um discurso sobre o actual estado da economia, acusando o Governo de estar a adoptar medidas que os sociais-democratas avançaram em primeiro lugar. Tudo isto, sob a complacência da comunicação social, ideia que viria a ser reforçada por conselheiros afectos à actual direcção. Depois disto, Ferreira Leite passou ao ataque e virou-se para dentro do PSD. A líder social-democrata garantiu que sozinha não consegue dar a vitória ao partido nas eleições legislativas de 2009, uma declaração que se ofereceu a várias interpretações. Desde as que viram aqui uma confissão de derrota antecipada, até às que a encaram como um desafio à união entre as várias facções internas.
Para os que têm dúvidas que Manuela Ferreira Leite seja a candidata ao lugar de primeiro-ministro em 2009, a líder social-democrata disse que será "esta direcção" a ir às eleições e que neste momento a união interna é "um dever patriótico". Comparando com o que se está a passar no PS (as movimentações de Alegre) e agora no CDS (com a saída de um deputado), Manuela Ferreira Leite garantiu que o PSD ainda se arrisca a ser o único partido unido na campanha do próximo ano. "Não quero caminhar sobre as cinzas do País", garantiu a líder do PSD, que deixou o aviso: "Não excluirei ninguém, mas aqueles que não quiserem vir comigo não os vou buscar".
Logo a seguir, Pedro Passos Coelho tomou a palavra, para marcar algumas divergências face à actual direcção, tendo citado casos como o reconhecimento do Kosovo e a abstenção no Estatuto dos Açores. Quanto às despesas internas, afirmou que "o PSD corre o risco de ser muleta do PS", porque os socialistas estão a ocupar o espaço político que antes era laranja.
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