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Há 600 portugueses mais velhos que Manoel de Oliveira

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CÉU NEVES  

Vidas. As pessoas com 100 e mais anos vão sendo menos raras. E Portugal não se adaptou a esta nova realidade, dizem os técnicos. Há que dar qualidade de vida às 'idades maiores'

Ser activo e estimular o intelecto são os segredos da velhice

Portugal tem 589 pessoas com 100 ou mais anos registadas nos Censos de 2001: um homem para cinco mulheres. E, como a tendência é para o aumento da longevidade, é natural que em 2008 existam muitos mais. Nem todas continuam a trabalhar como Manoel de Oliveira, mas muitos são independentes e Portugal não está preparado para esta realidade, dizem os técnicos. O segredo está em "ser activo e estimular o intelecto", não ser atirado para uma cadeira ou um sofá de um lar, verdadeiras antecâmaras da morte.

"Uma das coisas que mais contribuem para o aumento da longevidade é a actividade. As pessoas devem ter uma actividade física e intelectual estimulante", explica Maria João Quintal, médica, chefe de divisão de Saúde no Ciclo de Vida da Direcção-Geral de Saúde.

Aquela é uma das razões porque encontramos mais centenários entre as pessoas com cursos superiores e com maior treino intelectual. Além de que têm profissões com menos riscos para a saúde e condições sociais e económicas para ter uma maior qualidade de vida. Permite-lhes, por exemplo, ter uma alimentação equilibrada, cuidados físicos e empregados para lhes dar assistência. "As pessoas que se mantêm no seu meio, com a família, vivem muito mais do que as que vão para os lares. Temos de obrigar as instituições a reformular a sua atitude perante a idade. O meio pode ser muitíssimo agressivo de desestimulante", adianta. Não devem ser as pessoas a adaptar-se às instituições, "numa altura da vida em que estão fragilizadas".


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