por
Fernanda Câncio
Jornalista - fernanda.m.cancio@dn.pt
Parece que os professores que ontem se concentraram para a vigília à porta do ministério da Educação cantarolavam "um, dois, três, já cá estamos outra vez". O intuito irónico da cantilena não contou decerto com o ricochete. Sim, lá estão eles outra vez, pensa uma parte não negligenciável das gentes, saturada de protestos professorais (e agora também, nos últimos tempos, de alunos a clamar por coisas como "fim dos exames nacionais"- e chocolates grátis, já agora, não?).
Não me entendam mal: não estou, de modo nenhum, contra o protesto. Simplesmente, estou farta deste e não vejo o ponto da sua continuação. Já percebi, como toda a gente já percebeu, que os professores estão zangados com o ministério, com o estatuto da carreira docente, com o aumento do tempo de permanência nas escolas, com as aulas de substituição e, claro, com o modelo de avaliação. Anotámos todos. Anotámos todos também que o ministérioefectuou alterações ao dito modelo, tendo em conta uma série de críticas. E esperámos que os professores, em troca, aceitassem uma evidência simples: é preciso parar com esta história. Porque é preciso que as escolas funcionem e porque não chega encher a avenida da Liberdade nem fazer greves muito participadas para mandar.
É disso que se trata: mandar. Para o caso de ainda não se ter percebido. E para decidir quem, durante um dado espaço de tempo, manda, costuma haver eleições. Chama-se ao processo eleitoral processo de legitimação democrática por alguma razão. E a última vez que olhei para as eleições os professores não se tinham candidatado a governar - mesmo se entre os mails que recebi nas últimas semanas havia um, enviado por professores ( guardei-o, já agora) em que se lia "começou a campanha eleitoral dos professores contra o PS".
Haverá quem considere o meu raciocínio anti-democrático. Não é grave - ou melhor, é, porque é esse o problema, saber o que é democracia e como funciona. É o poder da rua? Não, não é. Claro que há governos que caem na rua, por protestos massivos. Claro que é isso que os professores pretendem representar - um protesto massivo. Mas se calhar é altura de pararem para contar quem têm do lado deles. A oposição? Sim, têm a oposição. Mas se contarem com o que vale em votos a oposição têm de contar com o que vale em votos o governo. E há esse pequeno pormenor: é o governo legítimo em funções. Claro que uma pessoa se pode estar nas tintas para isso, mas é estar-se nas tintas para a democracia. A democracia não é só eleições? Não, não é. Governar não é só mandar? Não, não é. Também é ouvir e negociar. Tudo isso sucedeu, e os professores averbaram várias vitórias. Querem "ir até ao fim"? Bom, é com eles. Mas se a ideia for derrubar o governo, talvez seja boa ideia dar uma olhadela às sondagens e tentar perceber quem ganhará se houver novas eleições. É capaz de não ser o PCP.|
Nota: Os comentários deste site são publicados sem edição prévia e são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Consulte a Conduta do Utilizador, prevista nos Termos de Uso e Política de Privacidade. O DN reserva-se ao direito de apagar os comentários que não cumpram estas regras. Receber alerta de resposta - será enviado um alerta para o seu e-mail sempre que houver uma resposta ao seu comentário. Aparecer como anónimo - os dados (nome e-mail) são ocultados. Os comentários podem demorar alguns segundos para ficarem disponíveis no site.
Utilizador Registado Utilizador Não Registado
UE impõe condições para Grécia obter resgate
1500 polícias desistem da farda em três anos
Cinco agências de publicidade na corrida à Galp
Ritmo de reformas na CGA está a abrandar
2011 foi o segundo melhor ano para sapatos portugueses
"Somos portugueses, mas não somos baratinhos"
O homem que recusou saudar os nazis
Príncipe Harry coroado "Top Gun"
Souza no Grémio é desilusão para os adeptos do Vasco
Senhorio obrigado a realojar em caso de obras
Mulher obrigava mãe de 77 anos a viver fechada na garagem
Vila do Conde: Câmara dá tolerância aos funcionários no Carnaval
Santana para Rosas: "Salazar é a sua tia!"
80 mil abortos 'por opção' desde 2007, 13 mil reincidentes
Gestores da TAP, RTP e CGD escapam a tetos salariais
Schulz justifica-se em português no Twitter
Ahmadinejad convida Bento XVI a visitar o Irão
Se Passos não vem à AR "alguma coisa quer esconder"
Ajustamento do plano de ajuda financeira a Portugal é inevitável?
Feira do Livro
Guia Indispensável do Emprego
O número de leitores do DN aumentou 27%
Todas as Iniciativas DN