por
PEDRO VILELA MARQUES
HERNÂNI PEREIRA
Luta. Já tinham surgido vozes no interior da Plataforma sindical a apelar ao diálogo com o Ministério da Educação e ontem os dirigentes sindicais instaram o Ministério da Educação a apresentar "novidades significativas" de forma a desbloquear o impasse provocado pelo actual modelo de avaliação. Em troca, propõem-se suspender os protestos
A greve nacional de professores de amanhã ainda pode ser desconvocada, caso o Ministério da Educação apresente durante o dia de hoje propostas para desbloquear o impasse na avaliação. Depois das declarações de Filipe do Paulo, presidente da Pró-Ordem dos professores, a colocar em causa a realização da greve, outros dirigentes da Plataforma reconheceram que ainda seria possível sus- pender o processo, mas apenas se o Governo se mostrar disponível para "um diálogo franco e transparente".
Esta ideia é veiculada num comunicado de membros da direcção da Pró-Ordem, destinado a criticar as posições de Filipe do Paulo. Os membros da associação de professores mantêm a sua adesão à greve de amanhã, "a menos que a Plataforma Sindical entenda suspendê-la", o que só pode acontecer "partindo do pressuposto da suspensão do famigerado modelo de avaliação que o Ministério pretende impor", dizem.
Se tomarmos em atenção as tomadas de posição públicas de dirigentes sindicais nos últimos dias, as propostas do Ministério e a abertura ao diálogo estão a gerar reacções no interior da Plataforma. Eleonora Bettencourt, do Sindicato dos Professores do Pré-Escolar e Ensino Básico, entende que o Ministério da Educação não está disponível para ponderar outros modelos de avaliação, o que obriga à discussão do existente. Embora reconheça avanços na rectificação de problemas do processo actual, a dirigente do Sippeb afirma que "o Ministério teria de dar mais garantias aos sindicatos, para que voltássemos atrás".
Outro dirigente da Plataforma, o líder da Federação Portuguesa dos Profissionais da Educação, Ensino, Ciência e Cultura (FEPECI), adianta mesmo que gostaria de ter razões, ainda durante o dia de hoje, para desconvocar o protesto. "Essa é uma decisão que teria de ser tomada pela Plataforma, se o Ministério da Educação apresentasse novidades significativas", acrescenta José Nóbrega Ascenço, sem concretizar se essas medidas redundam apenas na suspensão do processo de avaliação.
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