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Ser pai após os 35 anos aumenta risco de anomalia

por

SARA GAMITO  

Genética. Com o envelhecimento, a nossa capacidade reprodutiva é seriamente afectada. A própria divisão celular, necessária à concepção, está sujeita a uma maior quantidade de erros. Porém, não é só a idade da mãe que conta. Hoje sabe-se que a herança paterna não fica de fora da equação genética

Com a alteração dos estilos de vida, a idade em que os portugueses decidem ter o primeiro filho não pára de subir. Mas se por um lado a maturidade e a ponderação económica trazem conforto às crianças, por outro, com o avançar da idade dos pais tende também a aumentar a probabilidade de os filhos nascerem com anomalias genéticas.

Ao longo dos tempos, a ciência e a medicina têm vindo a reduzir drasticamente a mortalidade e a doença de mães e bebés, tanto que, hoje em dia, uma gravidez depois dos 40 raramente constitui qualquer perigo. Até o saudável desenvolvimento dos fetos pode ser verificado através dos rastreios pré-natal. No entanto, quanto mais velhos são os pais, maior a possibilidade dos óvulos ou dos espermatozóides envolvidos na fecundação apresentarem anomalias. Normalmente, é através da mãe que surgem as maiores complicações. "De um modo geral pode dizer-se que à medida que a idade passa o risco de alterações na meiose [divisão celular] e aparecimento de número diferente de 46 cromossomas [número normal de cromossomas nas células humanas] aumenta na mulher", explica José Rueff investigador do Departamento de Genética da Faculdade de Ciências Médicas em Lisboa.

Na mulher, os oócitos (futuros óvulos) estão presentes desde o momento do seu nascimento. Depois da puberdade, amadurece por norma um óvulo por mês, preparando-se para ser fertilizado. Ora, ao fim de muitos anos os óvulos estão "velhos", condicionando uma maior possibilidade de ocorrência de erros. Ou seja, pode dar-se uma má distribuição dos cromossomas, aquando os gâmetas femininos dividem para fecundação. Um cromossoma é uma longa sequência de ADN que contém vários genes, logo, a presença de um cromossoma a mais ou a menos traz uma grande mudança na composição genética das células.

Daí que o número de abortos espontâneos e a concepção de fetos com monossomias (um cromossoma a menos) ou trissomias (um cromossoma adicional) seja mais frequente à medida que a idade da mãe aumenta. Sabemos que estamos perante uma monossomia quando temos um cromossoma a menos nas células. Porém, a única situação de monossomia compatível com a vida é uma cromossomopatia denominada síndrome de Turner, em que as raparigas nascem com menos um cromossoma X. Se bem que taxa de incidência desta monossomia não esteja relacionada com o progressivo envelhecimento dos pais. Já as trissomias estão associadas à presença de mais um cromossoma, sendo a mais conhecida a trissomia no cromossoma 21, a síndrome de Down, vulgarmente conhecido por mongolismo.


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