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PETRÓLEO, PREÇOS E COMBUSTÍVEIS

por

Manuel Queiroz

Jornalista  

"ALÍVIO para os automobilistas", diz a capa do San Francisco Examiner, com eco no Chronicle da mesma cidade californiana. O preço do galão já está a 2,8 dólares, o que dá uns 60 cêntimos de euro por litro. Mas depois dos 147 dólares em Junho, dos menos de 70 actualmente, qual vai ser mesmo o preço estável do petróleo? Ninguém sabe e enquanto Shell, BP, Exxon apresentaram recordes de lucros no terceiro trimestre, há sinais muito preocupantes.

No Wall Street Journal, uma reportagem que começa na primeira página aponta-as; "Projecto da Chevron mostra o futuro: mais trabalho, menos petróleo". A história é a de um poço no Brasil, o Frade, em que a empresa nem sabe se consegue ter lucro ao fim de sete anos e três mil milhões de dólares de investimento. Porque os poços são muito fundos, porque a tecnologia é rara e cara. O Guardian falava, na quarta-feira, de um relatório segundo o qual, na Grã -Bretanha, o "pico do petróleo" - o momento em que a produção começará a descer - está muito mais próximo do que o Governo diz e aponta para 2013, "com efeitos potencialmente devastadores sobre a economia" do país. E outros relatórios recentes apontam para que o "pico do petróleo" global também esteja algures na próxima década. As areias de Alberta, no Canadá, são a segunda maior reserva de petróleo (atrás da Arábia Saudita), mas a exploração é caríssima e causa enormes problemas ambientais. No mês que vem, a Agência Internacional de Energia vai publicar a sua avaliação do estado dos 400 maiores campos de petróleo do mundo e as primeiras notícias apontam também para que as condições sejam piores do que imaginado.

Lá como cá, o Governo britânico faz pungentes apelos às companhias para baixar o preço do litro de gasolina - mesmo que 70% sejam de impostos -, mas o americano T. Boone Pickens, que dirige um fundo de dois mil milhões de dólares para desenvolver alternativas energéticas - e que nos últimos tempos teve grandes perdas, como se percebe -, dizia ontem na CNBC que em 2009 o preço do petróleo não pode andar abaixo dos cem dólares.


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