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ANTÓNIO PEDRO PEREIRA e ISAURA ALMEIDA (textos) RODRIGO CABRITA (fotos)
Academia. Em seis anos de vida, são vários os casos de jogadores que passam com sucesso da formação para a equipa principal. A 'menina-dos-olhos' do Sporting continua a ter resultados acima da média. O DN sport foi perceber o dia-a-dia dos jovens atletas e de quem os forma e acompanha
"O Sporting tem uma alma de futebol juvenil", diz Aurélio Pereira com ar de quem não gasta palavras, mas as sente verdadeiramente. E se alma é um "conjunto das faculdades intelectuais e morais do homem; espírito; pessoa", segundo os dicionários, a Academia do Sporting em Alcochete é a encarnação da filosofia leonina - uma orientação quase obsessiva, repetida exaustivamente por todos, virada para a eterna juventude de sucesso. E quase se pode agarrá-la, a alma, o que, como se sabe, é inviável. Mas, acredite-se ou não, neste caso tem a sua sustentabilidade terrena. Pelo menos ali em Alcochete, entre centenas de aspirantes a craques, dezenas de funcionários, treinadores, dirigentes, árvores, relvados, piscina, gabinetes, dormitório, refeitório, salas de convívio e musculação. Um mundo de culto físico e técnico, onde o perfil do candidato a craque é: "Ter uma boa relação com a bola."
A viagem à alma do Sporting (um clube marcado, no futebol, pela eclosão de jovens talentos planetários como Futre, Figo, Cristiano Ronaldo, Nani ou Quaresma) pode ser um belo passeio bucólico: sai-se de Lisboa (se for o caso), cruza-se o Tejo, entra-se em Alcochete, olhos na indicação Pegões, atenção a Olho Cinzeiro - contradição maliciosa para quem quer entrar num mundo de saúde física e mental.
Na Academia, um espaço de 250 mil metros quadrados, integrado num extenso montado de sobreiros, longe da confusão citadina, há linhas-mestras que marcam a sua actividade. Uma delas: "O Sporting não quer ganhar a qualquer preço." Outra: "Chama-se Academia [para sublinhar o cariz pedagógico, também] e não centro de estágio." Têm força estas frases, ou não fosse Aurélio Pereira o seu autor.
E Aurélio Pereira sabe da poda - lançou Futres, Ronaldos, Figos. Há 20 anos, foi ele quem criou o Departamento de Recrutamento. "Deram-me um gabinete e um funcionário e disseram-me: 'mãos à obra'." A obra são os tais talentos que o mundo conheceu - e vai conhecendo. O orgulho é uma obra que foi inaugurada a 21 de Junho de 2002. Uma casa para 58 futebolistas em regime de internato, uma rampa de lançamento para centenas de jovens que lá vão aferindo a relação com a bola. E com os valores do Sporting.
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