por
João Marcelino
Paulo Baldaia
Nesta primeira parte da entrevista (a segunda será publicada amanhã), José Sócrates aborda sobretudo temas relacionados com a crise financeira internacional e o seu impacto na economia portuguesa e nos actos e promessas da governação, que assumiu há três anos em resultado da primeira maioria absoluta concedida pelos portugueses ao PS. O primeiro-ministro, de forma discreta mas evidente, lança um recado aos bancos sobre a necessidade de investirem o dinheiro resultante das garantias do Estado nos empréstimos às necessidades das empresas e das famílias. O Governo estará atento, assim como o Banco de Portugal
O Pacto de Estabilidade e Crescimento (PEC) é um acordo entre os países da União Europeia, segundo o qual todos os países da UE devem evitar défices públicos superiores a 3% do PIB, bem como valores da dívida pública superiores a 60% do PIB. Défices superiores àquele valor podem levar a sanções, incluindo pagamento de multas.
As principais economias da Europa admitem estar à beira de uma recessão. Acha que há razão para os portugueses acreditarem que o nosso país vai escapar a uma situação semelhante?
Se alguma coisa se pode dizer sobre a natureza desta crise financeira, e os portugueses já o entenderam, é que ela é mundial. Ninguém escapará! Os portugueses também não. Mas o nosso dever é fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para minimizar os seus impactos. Esta crise global vai comprometer em muito aquilo que eram as expectativas de crescimento económico para todo o mundo. Nós tínhamos previsões, ainda há um ano, de crescimento da economia mundial muito significativo, acima dos 5%. Hoje nenhuma instituição mundial prevê esse ritmo de crescimento. Esta crise é global e séria.
Ainda assim, admite um crescimento de 0,6% para o próximo ano?
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