por
PATRÍCIA JESUS
Estudo. Investigação finlandesa analisa saúde laboral
Costureira de profissão, Fernanda Santos pediu a reforma antecipada há cerca de cinco anos, após uma série de baixas por doença. A primeira, por depressão, esteve intimamente relacionada com a sua relação com chefe, conta. "Já não aguentava ir trabalhar, nada do que eu fazia estava bem, sentia-me perseguida", diz.
Filipa Sousa, de 31 anos, chegou a pensar em desistir do jornalismo por causa do chefe. "Questionava constantemente o meu trabalho, dizia que eu não fazia telefonemas, começou a passar por cima de mim junto das minhas fontes, mentia...", conta. Quando deixou de ter vontade de ir trabalhar e percebeu que o problema estava afectar a sua estabilidade emo- cional, resolveu começar à procura de outro local de trabalho.
A relação entre maus chefes e o bem-estar no trabalho é exactamente o tema de uma investigação do Instituto Finlandês de Saúde no Trabalho, publicado recentemente no Journal of Occupational and Environ- mental Medicine. Os investigadores fizeram uma revisão sistemática de 27 estudos, publicados entre 1970 e 2005, que relacionavam a liderança no local de trabalho com o bem-estar dos empregados e concluíram que há realmente chefes "tóxicos" - os trabalhadores que gostam do chefe têm um risco 27% menor de ficarem doentes e quase metade do risco de meter baixa (menos 46%).
Segundo os investigadores finlandeses, há falta de estudos sobre a relação entre os chefes e e a saúde dos empregados, mas os poucos disponíveis mostram uma ligação forte entre as duas variáveis. Curiosamente, a relação entre a liderança e a produtividade permanece pouco clara.
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