por
FILIPA AMBRÓSIO DE SOUSA
João Silva. As histórias que escreve na blogosfera há três anos saltaram para as páginas do livro 'Rocha Chenaider', lançado esta semana, em que conta as memórias de uma vida de resistência ao fascismo e à prisão política. Aos 92 anos, aquele que é o mais velho 'blogger' português foi fotógrafo da CGTP 29 anos, operador de câmara nos estúdios de cinema da Tobis e andou por Angola outros cheios quase 30 anos
O seu olhar reconforta-nos. Essa é a primeira impressão que se ganha, que prende e nos conquista desde logo. Um absorver constante de uma vida carregada de experiência enquanto o ouvimos é o que se ganha depois de umas horas à conversa com João Silva, o blogger mais velho de Portugal e que esta semana lançou o livro Rocha Chenaider, a compilação das histórias escritas no seu blogue com o mesmo nome, criado em 2005.
Foi com este mesmo olhar que João Silva captou inúmeros ângulos com a sua câmara de filmar durante o tempo em que foi assistente e operador de câmara dos estúdios da Tobis, nos bastidores dos clássicos do cinema português como a Canção de Lisboa, A Aldeia da Roupa Branca ou OPai Tirano. E foi com este mesmo olhar que captou expressões e episódios únicos por detrás das objectivas da máquina fotográfica como fotógrafo oficial da CGTP durante 29 anos .
"Isso faz-me lembrar uma história..." é a frase que inaugura todas as histórias que há já muitos anos a família do também militante do PCP se habitou a ouvir da sua boca. Pelas suas preferências políticas conheceu a amargura da prisão política por duas vezes. Em 1934 , com apenas 18 anos, teve o "arrojo" de participar na revolta anti-regime do 18 de Janeiro, o que lhe garantiu dois anos isolado da família com o degredo na prisão dos Açores.
A memória mais antiga que os seus dois filhos, quatro netos e cinco bisnetos ainda hoje guardam é a do som da sua voz a contar histórias do mato de Angola, dos anos dourados do cinema português e dos 80 mil negativos de fotografias, que, desde as tiradas em pleno rescaldo do pós-25 de Abril até ao ano de 2007, captou, ao serviço da CGTP, que o contratara através do PCP.
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