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Ele experimentou, agora divirta-se

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ANTÓNIO PEDRO PEREIRA  

Carlo Braga. Passa cinco dias por semana e oito horas diárias a experimentar as mais diversas plataformas de jogos que depois chegam ao mercado. No fim do mês, pagam-lhe dois mil euros pelo trabalho, em que a responsabilidade é grande porque tem de se certificar de que você vai divertir-se

O mundo dos games testers, ou testadores de jogos, iluminou-se. Já não são as caves bolorentas, com caixas de pizzas espalhadas por entre os ecrãs de computador, já não são os nerds obesos e obscuros enfiados dentro de uma realidade paralela. Em Roterdão (Holanda), o português Carlo Braga tem um emprego das 10.00 às 18.30 que lhe permite jogar bilhar ou setas com os colegas de profissão se se entediar com o trabalho. Uma ocupação profissional invulgar: trabalha numa empresa que emprega cerca de 20 testadores de jogos a tempo inteiro. Com uma remuneração acima do salário mínimo da Holanda.

"Ainda me custa a acreditar que me pagam para testar jogos", solta Carlo Braga, 32 anos, ao DN gente. Emigrado na Holanda há cinco anos, este português de mil paragens (nasceu na Madeira, cresceu no Porto, amadureceu em Roterdão) antecipou a crise que atingiu a sua geração e pôs-se a andar. Sem emprego, sem certezas, sem um futuro, foi para a Holanda.

Ali chegou há cinco anos e fez de tudo: restaurantes, estufas, armazéns, agências de turismo. Até que há menos de meio ano um amigo engenheiro lhe passou a referência para um emprego na U-trax. Deram-lhe um teste para avaliarem o nível de português e a capacidade de reparar nos detalhes para fazer em duas horas, mas meia hora bastou-lhe. "Ligaram-me ao final do dia a dizer que tinha tido resultados extraordinários e a marcarem um encontro para me conhecerem", recupera. O emprego era dele. "Assinei um primeiro contrato de três meses, depois outro de seis e a seguir entro nos quadros da empresa", explica. "Nunca tinha ganho pela tabela salarial holandesa, que determina 1300 euros de salário mínimo", lembra.

Hoje, quatro meses depois, preocupa-se com a diversão dos seguidores dos jogos de computador e das consolas. Pagam-lhe cerca de dois mil euros por mês. "Vejo se os diálogos e as legendas estão bem construídas em português e faço relatórios para os responsáveis pelos jogos corrigirem", contextualiza. Pelo meio, numa torre de babel em Roterdão (espanhóis, italianos, russos, alemães, finlandeses, noruegueses, dinamarqueses), incentiva a criatividade e liberdade com jogos e idas à rua para compras dentro do horário de trabalho.


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