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editorial

O partido que já não é uma alternativa

 

Paulo Portas teve o mérito de levar o CDS/PP ao Governo. Um partido minoritário conseguira, pela sua boa liderança, tornar-se estratégico. Foi um caminho longo, feito de estar no lugar certo na hora certa, lembrar a crítica na altura devida, e ter uma posição de responsabilidade. Portas mereceu cunhar as suas inciais no partido que ele ajudou a mudar de nome.

Depois de passar pelo importante Ministério da Defesa, Paulo Portas retirou-se, assumindo, e bem, a derrota do seu partido nas eleições de Fevereiro de 2005. Fez a sua travessia de deserto, passando pela televisão, num programa em que usou outra das suas boas qualidades, a de análise. E cedeu à tentação de regressar ao partido que mudara.

Desta vez fê-lo de forma quase imperceptível. Não escolhendo guerras e achando que se podem fazer todas ao mesmo tempo, dos ex-combatentes às mulheres vítimas de violência doméstica, o CDS/PP II de Portas não se focou e não marcou a diferença. E nem se tornou suficientemente credível para poder parecer, aos olhos de um parceiro mais poderoso, uma alternativa.

Provavelmente estes foram os efeitos exteriores de uma grande crise interna, sabemo-lo agora. As últimas notícias dão conta de um partido em disfunção. Porque só num partido que não funciona se pode esconder a saída de um vice-presidente durante um ano.

O Presidente francês, Nicolas Sarkozy, volta a lançar o seu peso político pessoal para desbloquear o caminho da resolução de mais um infindável conflito. Depois da libertação de reféns das FARC e do cessar-fogo na guerra-relâmpago entre a Rússia e a Geórgia, Sarkozy dá agora uma mão à mediação turca para que prossiga o processo de paz entre a Síria e Israel. O encontro em Damasco com o Presidente sírio, o primeiro-ministro turco e o Emir do Qatar produziu o anúncio imediato da 5.ª ronda de negociações indirectas sírio-israelitas dentro de duas semanas. O objectivo é a aprovação de uma declaração de princípios que abra a porta a negociações directas entre as duas partes. O fim é assinar um tratado de paz entre Damasco e Jerusalém em troca da devolução integral dos territórios sírios ocupados por Israel desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967.


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