por
ANA BELA FERREIRA
Automóveis. Segundo o relatório da Federação Europeia de Transportes e Ambiente, Portugal é o país europeu que, em 2007, comprou carros novos mais ecológicos. A explicação parece estar no baixo poder de compra dos portugueses, que compram veículos de baixa cilindrada e mais pequenos
Portugal é o país europeu que, em 2007, comprou os carros novos mais ecológicos. A conclusão é do relatório da Federação Europeia de Transportes e Ambiente que analisou 18 países da União Europeia. Contudo, para o vice-presidente da Quercus (Associação Nacional de Conservação da Natureza), Francisco Ferreira, o resultado positivo deve-se essencialmente ao facto de os portugueses comprarem carros mais pequenos e de baixa cilindrada, que são mais ecológicos.
A opinião é partilhada pelo sociólogo e especialista em comportamentos de consumo, Elísio Estanque. "Não acredito que este resultado signifique uma maior consciência ecológica, só pode ter a ver com a questão de modelos novos que emitem menos CO2", considera. O investigador do Centro de Estudos Sociais (CES) da Faculdade de Economia Universidade de Coimbra acrescenta ainda que a escolha dos portugueses "tem a ver com aspectos de natureza económica". A sociedade nacional tem também a tendência para "afirmar o seu status pelo exibição de carros novos, sempre que possível e, como o poder de compra não permite mais, opta por modelos de baixo consumo, que são menos poluentes e mais baratos", explica o professor.
O agravamento para 60% do custo ambiental no Imposto Sobre Veículos (ISV) e a redução de 50% no imposto da compra de um híbrido, são dois incentivos à ecologia que os especialistas frisam. Embora Elísio Estanque considere que esta redução de taxas ainda não seja significativa para a posição de Portugal neste relatório.
O director da Agência Portuguesa do Ambiente, António Gonçalves Henriques, acredita que o primeiro lugar se deve aos hábitos e ao poder de compra. "Os portugueses preferem comprar carros novos de baixa cilindrada e mais ecológicos do que carros de alta cilindrada em segunda mão. Já os países nórdicos, com piores desempenhos ecológicos, apostam em altas cilindradas", defende.
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