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Fogo ameaça casas em Belas e põe Lisboa debaixo de nuvem de fumo

por

RITA CARVALHO  

Incêndio. Chamas não duraram mais de três horas mas causaram grande preocupação

Joana, Raquel e Eduarda ainda pensaram montar a tenda e a prolongar a actividade escutista para o dia seguinte. Mas assim que os cães começaram a agitar-se e sentiram o cheiro a fumo, as três jovens do grupo de Caneças das Guias de Portugal perceberam que tinham tomado a opção certa. Dez minutos depois de abandonarem a zona florestal do Belas Clube de Campo, em Belas, junto a Lisboa, ainda não eram cinco da tarde, o fogo passou por lá.

Ontem, ao início da noite, o incêndio que chegou a mobilizar mais de 300 bombeiros e colocou em risco várias habitações, já estava circunscrito. Mas o vento forte que durante todo o dia soprou na zona, com rajadas de cerca de 70 quilómetros por hora, não deixava sossegados nem autoridades nem população. "Os reacendimentos são um perigo a ter em conta", reconhecia o comandante distrital de Lisboa da Autoridade Nacional de Protecção Civil, Elísio Ribeiro, justificando a necessidade de manter muitos homens no terreno.

Ao cair da noite, e três horas depois de ter deflagrado ainda sem razão apurada, o fogo estava controlado. Os dois aviões Canadair que chegaram ao local por volta das 20.00, para ajudar os outros dois meios aéreos e terrestres a extinguirem as pequenas chamas que ainda resistiam, acabaram por tranquilizar os habitantes de Serra de Casal de Cambra. Foi aí, na parte norte do bairro, onde para além de habitações existem vários armazéns e unidades fabris, que o susto foi maior e os bombeiros tiveram de actuar com maior determinação para evitar que o fogo galgasse o eucaliptal. A polícia cortou acessos e o trânsito foi desviado para deixar circular as centenas de bombeiros vindos de toda a região de Lisboa.

Manuel Vicente Dias, proprietário de um armazém de produtos alimentares, teve de pegar na mangueira para regar o terreno que circunda o edifício e apagar uma projecção que saltou da zona do fogo até lá. Mas os bombeiros acabaram por ter de o ajudar a completar o serviço. Celestina Jesus, moradora na mesma zona de risco, também foi sobressaltada da sesta pela agitação dos bombeiros na rua e pelo cheiro a queimado.


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