por
LÍLIA BERNARDES, Funchal
JOANA SOUSA-DN FUNCHAL
Comemoração. O Funchal fez 500 anos, Jardim participou na sessão. A doutrina da Igreja Católica foi a base do seu discurso. O líder madeirense manifestou-se contra as chamadas "causas fracturantes" porque "traduzem uma vontade exótica e agressiva de quebrar o articulado lógico dos valores pátrios"
Alberto João Jardim interrompeu as férias no Porto Santo para celebrar os 500 anos de elevação do Funchal a cidade. O discurso do presidente da Madeira, na sessão solene dos Paços do Concelho, soou mais a "campanha de evangelização", "um dever dos políticos", do que a intervenção política, omitindo por completo a polémica criação do novo Partido Social Federalista, por si anunciado no areal da ilha vizinha.
Numa cerimónia atrasada, quente, com sobrevoos dos Asas de Portugal, bem recheada de entidades militares, civis e religiosas, entre elas o cardeal Ivan Dias, alta figura da Cúria Romana, Jardim optou por ler 13 páginas de uma homilia política baseada em valores, dignidade, no "dever de cada um amar o seu próximo". A oportunidade para dizer que foi "a doutrina social da Igreja Católica a grande base doutrinal para os novos tempos", conquistada que foi a autonomia política "após cinco séculos de colonialismo e de extorsão do produto do suor madeirense", afirmou.
Aliás, não é segredo confessional que Jardim, logo após o 25 de Abril de 1974, foi escolhido pelo então bispo do Funchal, D. Francisco Santana (já falecido) para dirigir o Jornal da Madeira iniciando, assim, uma carreira política contra o gonçalvismo com o apoio total da igreja. Ontem, o líder madeirense regressou à sua matriz, ao ponto de sustentar que "o povo madeirense participa no projecto nacional português até porque tem a cultura bastante para entender a globalização, esta também um dom de Deus, e para compreender quão ultrapassada está a fórmula do Estado do século XIX", afirmou.
Contudo, esse mesmo "povo" percebe que a sua "identidade" deve ser reforçada através da concretização do princípio da subsidiariedade. Portanto, sustentou, se por um lado "os nossos desígnios não são separatistas, por outro lado temos o direito de possuir os mecanismos constitucionais que nos conduzam pelos caminhos do desenvolvimento integral, bem como o Estado português tem o dever de facultá-los", reiterou.
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