Foi uma guerra em pequena escala (pelo menos para a primeira) a que a Rússia e a Geórgia travaram há dias, mas serve bem para mostrar que o mundo continua perigoso. E que os tempos de paz e de "fim da história" prometidos pelo ponto final na Guerra Fria (em 1991, quando a União Soviética se de-sintegrou e deu lugar à Rússia e mais 14 países, incluindo a Geórgia) são uma miragem. É evidente que tanto americanos como russos têm reduzido os seus arsenais atómicos nos últimos anos, mas também é certo que na última década Índia, Paquistão e Coreia do Norte confirmaram o estatuto de potências nucleares. E se são hoje raros os conflitos entre países (antes da guerra entre Rússia e Geórgia é preciso remontar a 2003 e aos Estados Unidos contra o Iraque, já que Israel em 2006 enfrentou o Hezbollah, não o Líbano), são muitos os pontos de violência, das selvas da Colômbia às montanhas da Caxemira, passando pelas areias da Somália.
Mas o mais assustador é que existe uma verdadeira corrida mundial ao armamento. Na última década as despesas militares do planeta cresceram 45%. Por causa do Afeganistão e do Iraque, os maiores gastadores são claramente os Estados Unidos, que representam quase metade das despesas globais, mas a Rússia também aumentou só no ano passado em 15% o seu investimento bélico, graças aos rendimentos dos hidrocarbonetos. Por seu lado, a China, cada vez mais próspera devido ao sucesso da sua economia, triplicou numa década as despesas militares - ainda mínimas comparadas com as americanas, mas que mostram bem as suas ambições estratégicas.
O grande risco agora é que a recente exibição de força da Rússia, que assustou bom número de países (os bálticos, a Polónia e a Ucrânia mostraram as reacções mais críticas a Moscovo) venha ainda acentuar mais a corrida aos armamentos. Sobretudo nessa Europa de Leste, onde os americanos contam instalar o seu polémico sistema de defesa antimíssil.
O segredo de Estado só faz sentido em situações extremas e bem definidas do ponto de vista legal. Trata-se de casos excepcionais em que o acesso público à informação - normal em democracia - tem de ser negado em nome do interesse superior do Estado. Exemplos? Protecção da identidade de um agente (secreto ou até mesmo um atirador dos GOE), planos de construção de uma prisão, meios materiais em posse das forças de segurança, métodos previamente definidos de combate a determinados crimes, como sequestros ou terrorismo.
O carácter de excepcionalidade não deve ser violado por razões menores ou menos claras. Para que a opinião pública aceite a necessidade de existir o segredo de Estado a aplicação deste deve ser reservada a casos de força maior, que não causem quaisquer dúvidas : a organização da segurança interna é uma delas.|
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