por
Manuel Queiroz
jornalista
Enquanto o mundo vai admirando o processo da escolha dos candidatos às eleições para a Casa Branca, os americanos não sabem muito bem o que fazer com ele. Ou melhor, os democratas fazem contas e relêem os regulamentos do partido para saber o que se pode fazer num caso de empate técnico do número de delegados que cada candidato, Obama e Hillary Clinton, conseguir eleger para a Convenção que, de 25 a 28 de Agosto, em Denver, decidirá efectivamente qual deles é o que o partido apoia.
Hillary é agora a figura: "The fighter", "A lutadora", faz a bela capa do último número da revista Time. Mas de resto, a preocupação são os delegados: "Democratas tentam acabar impasse sobre delegados", escreve na capa o The New York Times, e um dos casos tem a ver com a Florida e o Michigan, dois estados que resolveram fazer as suas primárias mais cedo do que o permitido e o partido não contou qualquer delegado eleito por ali. "Primária democrata na Florida poderia repetir-se por correio", escreve-se na capa do El Nuevo Herald, publicado em espanhol na Florida. Porque refazer as primárias habituais custaria ao menos dez milhões e o partido não tem dinheiro para isso antes da campanha nacional contra McCain. Procuram-se outras soluções, como alocar os delegados conforme os votos que houve, mas, no Michigan, Obama nem tinha o nome nos boletins... De qualquer maneira, a matemática é esquisita. As contas dizem que, segundo a Newsweek, aconteça o que acontecer, mesmo que haja primárias em Junho no Porto Rico, Obama terá sempre mais delegados. O problema é que nenhum deles atingirá os 2209 necessários para a maioria. Há os 800 superdelegados, espécie de "inerências à portuguesa", mas não há experiência de alguma vez terem tido uma intervenção destas. "São políticos mesmo, por isso não querem ser eles a decidir uma coisa dessas, para não terem problemas", dizia ontem a jornalista Gloria Borger na CNN. Alguém vai ter de o fazer...|
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