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No futebol só há senhores

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JOÃO VILLALOBOS  

Andreia Couto não estava lá e acreditem que a sua ausência foi sentida como substancialmente relevante. Em especial quando Laurentino Dias, o nosso secretário de Estado da Juventude e do Desporto, proclamou e repetiu que o livro apresentado na ocasião deveria chamar-se "Os Senhores e a Senhora do Futebol". Politicamente correcto, mas nem por isso menos verdadeiro.

Mesmo agora, enquanto escrevo, antecipo em simultâneo as vozes de alguns leitores pouco informados perguntando-se: "Quem é Andreia Couto?" A pergunta é um bocado parvinha mas perfeitamente admissível, pela simples razão de que também eu a fiz no primeiro instante em que olhei para a capa do livro de Paulo Catarro, o autor barra jornalista desportivo barra ex-assessor de Hermínio Loureiro, o homem que ficou fora da capa do livro.

No entanto, antes da explicação devida aos ignorantes, permitam-me que fale em primeiro lugar aos leitores bem informados: Andreia Couto, irmã de Fernando Couto, foi há poucos dias mãe do pequeno Vicente, provável futuro ponta-de--lança do Parma, razão entre todas a melhor para não ter comparecido no dito lançamento e, diga-se sem rancor e sem culpa alguma da sua parte, me ter dificultado a vida.

Na verdade, encontrava-me ali no cumprimento de uma missão impossível, definida pelo meu editor com clareza e sem margem para dúvidas: "A edição vai para as bancas no Dia Internacional da Mulher. Por isso, desenrasca-te. Queremos as mulheres como protagonistas." Ainda tentei gargalhar histericamente: "Mulheres no lançamento de um livro sobre futebol!?" De nada me valeu. Foi como se falasse para uma baliza vazia e ele já tinha desligado o telefone.

Mal cheguei ao Casino Estoril, fui recebido por néons de intermitentes flashes azul eléctrico e percebi que estava perdido. Só via homens que se abraçavam esfuziantes como se fossem amigos há décadas, o que certamente eram. Ainda atarantado e com os neurónios baralhados, abracei também a primeira pessoa que me apareceu à frente. Por um feliz acaso, tratava-se do nosso fotógrafo Rodrigo Cabrita. Bastaram algumas palavras para ficar claro que nem eu nem ele conhecíamos aquela gente. Com a excepção de Cláudia Jacques e Laura Santos, a loira apresentadora de desporto da RTP, por mais que olhasse em volta só via senhores engravatados.


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