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SELOS EXPLICAM AS ELEIÇÕES

por

Ferreira Fernandes

em Espanha  

Graças à burla da famigerada Afinsa, uma empresa fundada pelo português Albertino de Figueiredo, é possível compreender melhor estes dias os espanhóis e as suas eleições. Afinsa, empresa filatélica prometendo lucros fabulosos (espécie de D. Branca com selos), fundada em 1980, acabou fechando as portas: 4300 milhões de euros de prejuízo, 460 mil famílias lesadas. No domingo, num salão de Barcelona, algumas centenas reuniram-se com candidatos de diversos partidos. Um representante dos enganados dirigiu a reunião, falando em catalão. Apresentou os candidatos e estes começaram a falar também em catalão. Todos levaram com assobios e, quando insistiam, havia gritos na sala. Todos acataram, passaram a falar em castelhano, com excepção de Joan Puig, do partido independentista da Catalunha, ERC.

Fica a questão: se o apresentador pôde falar catalão, porque não os outros? Dolors Nadal, do partido conservador PP, quando se justificou - "o castelhano ou catalão para mim é tão natural que nem sei a língua que estou a falar..." - acabou por explicar o motivo da ira da sala. É que há muita gente, na Catalunha mas também no País Basco e na Galiza, que está farta da obsessão dos partidos nacionalistas em impor as línguas locais em detrimento do castelhano. Que a gente comum fale castelhano ou catalão é o dia-a-dia na rua; as imposições legais é que começam a aborrecer alguns: "Os nacionalistas pretendem fazer do catalão [língua] uma arma política", acusa Albert Rovira, do pequeno partido Ciutadans, anti-independentista (tem este slogan: "NacionalisNO").

A advogada Dolors Nadal, cabeça de lista do PP em Barcelona, falava catalão em casa mas só o aprendeu a escrever quando começou a vida política como assessora jurídica. Ela denuncia os editais da Câmara de Barcelona e as leis da Generalitat da Catalunha - ambas presididas por socialistas em aliança com partidos nacionalistas: "Um comerciante que só põe 'Hay setas' ['Há cogumelos', em castelhano] é multado, é obrigado a pôr 'Tenim Bolets' [em catalão]."

Ontem, foi o último dia em que se permitiram sondagens: o PSOE atingiu 43,5% das intenções de voto; o PP, 39,5%. Ambos sobem mas é a primeira vez na campanha que os socialistas atingem uma diferença de 4 pontos. As percentagens dos maiores partidos nacionalistas parecem irrisórias: os catalães CiU e ERC, com 2,5 e 1,8, e o basco PNV, com 1,3... Mas serão eles que farão a balança cair para um dos dois grandes. E far-se-ão pagar caro. |


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