por
LEONOR MATIAS
Colaboradores da CIP contestam impacto da ponte na paisagem da cidade de Lisboa
A Comunidade Portuária está preocupada com o impacto que a ponte Chelas/Barreiro vai ter na actividade marítima do Tejo e pede para ser ouvida. Em causa, alerta João Carvalho, presidente da comunidade que junta os armadores que operam no porto de Lisboa, "pode estar a manobrabilidade dos navios. Também o impacto visual da ponte está a preocupar os autores do projecto da Confederação da Indústria Portuguesa (CIP), que defendem a travessia mais a norte na zona compreendida entre o Beato e o Montijo. A Rave, gestora da alta velocidade e responsável pela terceira travessia, garante que "não está posta em causa a navegabilidade do Tejo".
A ponte Chelas /Barreiro na versão da Rave ficará certamente na história como a maior ponte atirantada do mundo, mas o seu impacto na paisagem está já a merecer atenções de personalidades ligadas ao paisagismo nacional e internacional. José Almada, o autor das fotomontagens, e que trabalhou no estudo da CIP, considera que as imagens que a Rave e o Ministério dos Transportes têm "omitido" poderão "causar uma tempestiva avaliação do cidadão". Além do impacto visual que a ponte vai ter na imagem da cidade, outras preocupações estão a surgir e têm a ver com as características da ponte. Apesar do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) estar a comparar as propostas da CIP e da Rave, a Administração do Porto de Lisboa (APL), numa carta data de 2005, aconselhava a possibilidade de a amarração ser desviada a montante da doca do Poço do Bispo, entre o terminal da Tanquipor e a Torre da Marinha. O objectivo era reduzir o impacto na actividade dos terminais existentes em ambas as margens. Carlos Fernandes, administrador da Rave, adiantou que têm "trabalhado juntamente com a APL" e, sobre essa questão, já explicaram que "não é viável". João Carvalho salientou que segunda-feira vão reunir com a APL e a ponte vai ser o tema. A Comunidade Portuária quer entrar no processo e propõe que o LNEC ouça os comandantes dos navios e está disponível para colaborar.
As características da ponte já levantaram dúvidas. Câncio Martins fixou um vão (distância entre o leito do rio e o tabuleiro da ponte) de 690 metros na cala norte. António Reis, que o substituiu no projecto, já afirmou publicamente (RTP) que o vão baixou para 540 metros, uma redução que vários responsáveis ligados ao estudo da CIP consideram que pode colocar definitivamente em causa a passagem e a operação de manobras dos grandes navios, bem como a operação a montante. Carlos Fernandes diz que o projecto prevê uma altura desde a água à parte inferior de 47 metros, enquanto a APL prevê 43 metros e os armadores fixam a altura em 50 metros.
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