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Faltam placas e guardas nas falésias algarvias

por

PAULA MARTINHEIRA

LUIS FORRA -LUSA  

O presidente da Câmara Municipal de Vila do Bispo, Gilberto Viegas, considera que a morte dos dois turistas alemães ocorrida no sábado, ao princípio da tarde, na praia do Forte do Beliche, em Sagres, poderia ter sido evitada se existissem placas informativas dos perigos do local. Uma lacuna comum a quase toda a costa do concelho, com cerca de 50 quilómetros de extensão e "muitos pontos perigosos". As buscas para encontrar o corpo da vítima que falta recuperar decorreram ontem durante todo o dia sem sucesso.

O autarca rejeita qualquer responsabilidade do município no acidente, argumentando que a costa local está sob a jurisdição de várias entidades, como o Instituto do Patri- mónio Arquitectónico, Parque Natural da Costa Vicentina e Sudoeste Alentejano e Capitania do Porto de Portimão, que "não têm a noção da realidade nem dialogam com a autarquia, sendo apenas meros emissores de pareceres através de ofícios".

Gilberto Viegas sustenta que o acesso à falésia onde aconteceu o acidente deveria "estar interditado no período de Inverno, sobretudo nos dias, como agora, em que as condições meteorológicas são mais adversas, com ventos fortes e ondas de seis metros de altura". Para acederem à falésia, os visitantes têm de atravessar a muralha do forte, muitas vezes "arriscando a própria vida", tal como aconteceu no sábado, em busca de uma boa fotografia ou uma paisagem mais agreste. "Os turistas querem explorar ao máximo as potencialidades da costa, pondo em causa a sua segurança. Contra isso nada há a fazer, mas se forem devidamente alertados para o risco que correm, talvez pensassem duas vezes", defende.

O autarca pondera, por isso, a hipótese de, numa iniciativa concertada com as unidades hoteleiras e de alojamento de Vila do Bispo, elaborar e distribuir mapas e folhetos indicando "a dezena de pontos sensíveis, pela sua perigosidade, entre falésias e praias, existentes na costa do concelho". O Forte do Beliche e o cabo de São Vicente são dois desses pontos, refere Gilberto Viegas.

O autarca acredita que os acidentes que têm vitimado turistas não vão afectar a imagem turística do concelho, já que este "é procurado precisamente pelo seu lado selvagem e natural". Para analisar estes acidentes e definir medidas, realiza-se esta semana, no Governo Civil de Faro, uma reunião com o autarca e as entidades com tutela na costa do concelho.|


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