por
FILIPE MORAIS
Estrutura estava fechada desde 2004. Circulação normal retomada hoje
Foi uma enchente de pessoas que ontem quis ver a nova estação e "analisar" o reabilitado Túnel do Rossio, em Lisboa. A obra na infra-estrutura, que estava fechada desde 2004, foi inaugurada de manhã pelo primeiro-ministro, José Sócrates, mas à tarde a CP disponibilizou um comboio gratuito entre as estações de Roma/Areeiro e Rossio, para mostrar o renovado túnel aos passageiros.
A curiosidade criada pelos quase três anos e meio em que o túnel esteve fechado acabou por atrair milhares de pessoas, ontem, ao Rossio. O espectáculo de Maria João e Mário Laginha estava marcado para as 18.00, mas antes das 16.00 já as cadeiras estavam todas ocupadas. Mal se abriram as portas da estação, a multidão entrou apressada para ver a estação. E o comboio que fazia o vaivém chegava e partia cheio: "Mais valia porem azeite! Está muito mal organizado, porque vem tudo muito cheio e estivemos quase 45 minutos à espera", disse Rafael Emídio, ao DN, ao chegar ao Rossio. Ainda assim, conseguiu "observar a parte técnica. Tem reflectores, sistemas para os bombeiros e muita luz". "Dantes é que não havia nada, o que nos deixa a pensar que andámos ali sem saber em que condições", acrescenta Fernanda Emídio. Os dois são residentes em Mem Martins (Sintra) e dizem que vão começar a usar diariamente o "novo" túnel: "A Baixa vai voltar a ter vida", referem.
Maria José e Manuel Martins, residentes em Odivelas, foram ver a estação "por curiosidade. Vivemos uns anos na Damaia e passámos muitas vezes no túnel. Era escuro e chegámos a ter de passar a pé, quando os comboios avariavam. Ficávamos com os pés molhados, mas agora está diferente. Se há uma obra bem feita, esta é uma delas", diz Maria José Martins. Artur Rocha é da mesma opinião: "Está uma obra bem feita, levou o seu tempo, mas está aqui a compensação. Mas gostava era de poder andar lá dentro a pé", afirma, no extremo da plataforma, enquanto olha para o outro lado do túnel.
O Rossio volta hoje a receber comboios da Linha de Sintra, ainda gratuita, ficando para amanhã o retomar da circulação normal. Mário Lino, ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, garante que a ligação é retomada com "a mesma oferta que havia em 2004, mas esperamos que tenha de ser aumentada, porque a oferta será correspondente à procura". No entanto, admite que o número de passageiros diários seja inferior ao de 2004 devido à interrupção de mais de três anos no serviço.
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