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AS BOAS PRÁTICAS NAS VIAGENS PROFISSIONAIS

por

Mário Bettencourt Resendes

provedor@dn.pt  

Há, nos grandes clássicos da literatura e do pensamento, inúmeras referências, repletas de cepticismo, sobre os eventuais benefícios de uma viagem. Desde Séneca ("Foges em companhia de ti próprio: é de alma que precisas de mudar, não de clima") até, por exemplo, Descartes ("Quando gastamos tempo de mais a viajar, tornamo- -nos estrangeiros no nosso próprio país.") O provedor prefere, no entanto, o outro lado da moeda e fixou uma citação cujo autor se perdeu no desgaste da memória: "Feliz de quem, como Ulisses, fez uma bela viagem..."

Vamos, pois, discorrer sobre viagens, neste caso aquelas que se relacionam com o exercício da actividade jornalística. O tema não foi suscitado por nenhum episódio particular ou sequer por chamada de atenção de um leitor - tão-só, e não é pouco, porque o provedor pensa que se trata de matéria sensível e fomentadora de equívocos, sendo, pois, relevante para a qualificação do jornalismo praticado.

Comecemos pelo "cenário ideal", neste caso as regras severas que estão em vigor em alguns dos mais reputados jornais do planeta (nos Estados Unidos e na Alemanha, para citar apenas exemplos que o provedor conhece). Aí, as chamadas "viagens a convite" são analisadas criteriosamente, procurando-se averiguar se o trabalho jornalístico a efectuar terá, ou não, interesse público. Se a resposta for positiva, o jornal faz-se representar na viagem em causa, mas chama a si a cobertura das despesas da deslocação, reembolsando directamente a entidade responsável pelo convite.

Mesmo nas chamadas "visitas de Estado", em que os jornalistas viajam nos "aviões presidenciais", não faltam exemplos (é o que sucede com o Estado do Vaticano e com o Air Force One, nos EUA) em que cabe às empresas suportar uma verba correspondente ao custo da viagem.

Como se compreenderá, estes "luxos de independência" são privilégio de um número restrito de empresas. E não faltam mesmo casos de "baluartes" que tiveram de ceder a soluções de compromisso, por pressão dos departamentos comerciais ou mesmo porque se constatou que se poderia, aqui e ali, por excesso de ortodoxia, passar à margem de noticiário com interesse para os leitores.


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