por
HELENA TECEDEIRO
Jon Favreau ouve o senador e só depois escreve os discursos
"Pode fazer-se campanha em poesia, mas governa-se em prosa", afirmou Hillary Clinton antes da superterça-feira. A frase da senadora era um ataque directo a Barack Obama, o seu adversário nas primárias democratas para as presidenciais americanas. Mas pode ser vista como um elogio a Jon Favreau. Aos 26 anos, o homem que escreve os discursos do senador do Ilinóis tornou-se praticamente numa estrela. Afinal todos querem saber quem escreve aqueles textos que inflamam multidões e têm ajudado Obama a manter-se na corrida à nomeação democrata para a Casa Branca.
Com as calças de ganga e uma T-shirt como uniforme, Favreau - não confundir com o actor do filme Swingers com o mesmo nome - garantiusó ter a certeza que o discurso que escreveu para a vitória de Obama no Iowa ia resultar quando o senador o começou a ler. "Olhei para a equipa de campanha e estavam todos a sorrir. Aí pensei: "Isto vai correr bem", disse Favreau ao New York Times.
Favs, como é conhecido o speechwriter, é o líder de uma equipa muito jovem que trabalha nos discursos de Obama. Adam Frankel, antigo assistente do mítico Ted Sorensen, que escrevia os discursos do ex-presidente John F. Kennedy, tem também 26 anos. Com 30 anos, Ben Rhodes, que trabalhou com Lee Hamilton na elaboração do relatório do Grupo de Estudo sobre o Iraque, é o veterano do grupo.
Trabalhar com alguém como Obama - autor de dois livros e dono de uma oratória muito própria - nem sempre é fácil. Mas Favreau garante ter encontrado o método certo. "Sentamo-nos juntos durante meia hora", explicou o speechwriter à revista Newsweek. "Ele fala e eu tomo apontamentos de tudo o que ele diz. Dou-lhe forma. Ele lê e faz as alterações que quer. É assim que obtemos o produto final", disse.
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