por
MANUEL RICARDO FERREIRA,Nova Iorque
As raivosas acusações trocadas entre Hillary Clinton e Barack Obama no debate televisivo na Carolina do Sul estão a produzir efeitos.
Se Obama disse que "muitas vezes não [sabe] quem é o candidato com que me defronto", a sua oposição já aparece caracterizada como "os Clinton" no Wall Street Journal. O jornal avisa: "O senador do Illinois é ainda um jovem, mas não tão jovem que tenha perdido os anos 90. Mas parece estar a acordar lentamente para o que toda a gente já sabe sobre os Clinton: que eles dirão tudo o que têm a dizer para vencer."
Também a invectiva de Hillary aos laços que Obama teve com o empresário de imobiliário Antoin Rezko em Chicago estão a ser investigados pelos jornalistas. Embora Obama tenha dado a organizações de caridade 41 mil dólares de donativos feitos por Rezko para a sua campanha, lêem-se hoje informações de que Rezko "passou anos a injectar milhares de dólares em contribuições de campanha para que Obama pudesse subir da legislatura do Illinois ao Capitólio - e ajudou-o a angariar muitos mais".
Obama faz uma campanha bem sucedida para os caucus na Carolina do Sul no sábado, enquanto os Clinton dividem esforços: Bill ficou por lá e Hillary rumou à Califórnia para assegurar o apoio da comunidade latina na superterça-feira de 5 de Fevereiro. E Bill, orador consumado que consegue facilmente "agarrar" qualquer plateia, mas especialmente as do Sul, tratou logo de capitalizar o debate. Num comício, disse: "Pode parecer loucura, mas até gosto de ver Hillary e Barack a lutar. São pessoas de carne e osso e têm as suas divergências - deixem-nos lutar por elas".
Isso não agrada muito ao aparelho democrata. Tom Daschle, ex-líder da maioria no Senado, acha os ataques dos Clinton "distorções incríveis" são semelhantes aos dos republicanos: "Acabam por destruir o partido e vão ter efeitos no futuro".
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