por
ABEL COELHO DE MORAIS
A ameaça de guerra civil no Quénia, a perspectiva de novo ciclo de violência no Kosovo, a sombra da Al-Qaeda no Magrebe e certas áreas da África subsariana, a intensificação dos confrontos no Sri Lanka, as provas de força da guerrilha das FARC, o regresso dos ataques terroristas no Iraque, acções de retaliação israelitas sobre os radicais palestinianos são algumas das provas de que a paz prometida no último quartel do século XX está longe de garantida.
O mundo vive sob a ameaça de uma longa série de conflitos degenerarem em guerras abertas e de antigas tensões ressuscitarem sob forma violenta em diferentes pontos do globo.
A presente crise no Quénia - visto como uma nação estável e relativamente desenvolvida - ilustra um dos aspectos dos novos conflitos e o modo como um país politicamente pluralista e aberto em termos sociais assiste, num momento, ao curto-circuito dos mecanismos de resolução pacífica de tensões e passam para primeiro plano reivindicações de redistribuição de poder, político e étnico, e se perspectiva um longo período de violência que pode culminar numa guerra civil.
Ainda em África, guerras de atrito de longa duração entre países adjacentes (que parasitam por vezes conflitos internos: o sucedido na RDCongo e no Ruanda, por exemplo), com os seus ciclos de represália e contra-ofensivas, conduzem à desagregação do aparelho do Estado, a vagas de populações deslocadas que "invadem" países fronteiriços, alastram a esfera de instabilidade e convidam à intervenção de novos actores na crise.
Afeganistão e Iraque são, na actualidade, exemplos daquela forma de conflito, cujo controlo ou extinção se afigura improvável, perspectivando, pelo contrário, a hipótese do seu agravamento ou a sua perpetuação por tempo indefinido.
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