por
João Miguel Tavares
jornalista
jmtavares@dn.pt
1Os partidos são como os clubes de futebol: passam a vida à espera de milagres. O Benfica há 20 anos que não constrói uma equipa de jeito mas a cada início de época os jornais são inundados por extraordinárias promessas de glória. É provável que isso aconteça? Provável não é. Mas os adeptos adoram acreditar. Quando Luís Filipe Menezes subiu ao cargo mais alto do PSD, os militantes devem ter esperado por um mesmo género de milagre. Que aquele homem mediano, que poucas vezes deu nas vistas e que quando deu foi quase sempre pelas más razões, se transformasse num estadista de relevo. Um político com visão, subitamente revelado pela ascensão ao poder. Mas passados quatro meses, como acontece com os milagres e com o Benfica, a esperança esfumou-se e toda a gente já viu o óbvio. Afinal, Luís Filipe Menezes é apenas Luís Filipe Menezes.
A sua recente intervenção sobre os comentadores televisivos, e a teoria de que eles devem ser repartidos pelos partidos como quem divide chupa-chupas por meia dúzia de crianças gulosas, é deprimente de tão ridícula. Como é possível que aquele homem não tenha percebido que as suas palavras se iriam transformar em motivo de galhofa? Porque uma coisa é cometer uma gaffe. Acontece a todos. Outra coisa, bem diferente, é um discurso estruturado parecer o argumento de uma comédia americana. Isso não acontece a qualquer um. Na verdade, isso só acontece a quem é muito mau.
O espantoso, no entanto, não é que Luís Filipe Menezes seja mau. Isso há muito que muitos tinham percebido, e alguns não se cansaram de denunciar. O espantoso é que o PSD, dois anos e meio depois de Santana, tenha voltado a lançar-se numa aventura suicida, entregando-se nas mãos de um homem que talvez consiga gerir bem quatro assoalhadas mobiladas, mas que ninguém, com dois dedos de testa, consegue imaginar à frente do País.
2 Paulo Teixeira Pinto saiu do BCP com dez milhões de euros e 35 mil euros por mês, 14 meses por ano, durante os anos que lhe restarem (e, só tendo 47, esperemos que sejam muitos). É bom saber que o banco não é só generoso para aqueles que lá estão. É também generoso - e muito - para aqueles que se vão embora. Estando até há pouco tempo o seu conselho de administração tão bem representado por membros do Opus Dei, toda esta generosidade é não só natural como biblicamente recomendada. Em verdade, em verdade vos digo: se me dessem tamanho pecúlio para não fazer nada até ao fim dos meus dias muito aumentaria a minha fé em Deus. Haverá ainda por lá alguém que me queira converter?|
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