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Menezes tinha plano para legalizar 250 mil militantes

por

FRANCISCO ALMEIDA LEITE  

Demissão do líder suspendeu entrada de mais militantes

Luís Filipe Menezes estava a preparar-se para refiliar cerca de 250 mil militantes do PSD, que, ao longo dos anos, foram perdendo os laços com o partido fruto das várias campanhas internas de limpeza dos ficheiros. Ao DN, o secretário-geral do PSD, José Ribau Esteves, assume que "havia uma campanha de angariação de velhos militantes que só foi interrompida pela decisão do presidente do partido de ir embora".

Ribau Esteves, que é ainda o homem da máquina do partido, diz que "os ficheiros do PSD padecem de várias patologias e nós queríamos pôr ordem nisso". O plano de Menezes e Ribau era tornar activos os cerca de 250 mil militantes que desde 1996 se viram impedidos de participar na vida interna do PSD, bem como de exercer o direito de voto, quer em eleições locais (para concelhias e distritais), quer nas eleições para delegados aos congressos electivos ou, mais recentemente, nas eleições directas para a liderança.

"Há um vasto grupo de pessoas que ficaram com a inscrição de 'militante pendente' por três situações diferentes na tal patologia do ficheiro", diz Ribau Esteves. Os primeiros, que são o grupo mais numeroso, são os militantes que se viram afastados no célebre processo de refiliação encetado por Rui Rio em 1996, na altura secretário-geral de Marcelo Rebelo de Sousa. Para além destes, existe um segundo grupo que são os militantes que não pagam quotas (que são de 12 euros/ano) há mais de dois anos, ou seja desde que o sistema de pagamento de quotas por multibanco e com PINs foi instituído pela direcção de Luís Marques Mendes, sob a liderança do então secretário-geral Miguel Macedo.

O terceiro grupo são cerca de 12 mil militantes que têm a inscrição "morada desconhecida" e que, como ontem o DN avançou, não podem regularizar a sua situação, dado que os serviços do partido não dispõem de endereços para enviar os PINs de multibanco. Sobre estes últimos, e apesar do processo ter sido suspenso com o anúncio da decisão de Menezes se demitir, existe uma acção a tramitar no Conselho de Jurisdição Nacional do PSD, presidido por Amorim Pereira, para que estes ainda possam votar nas directas de dia 31.


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