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Síria

Bachar al-Assad admite repressão violenta

por Luís Naves  

Rebeldes sírios na região de Idleb
Rebeldes sírios na região de Idleb Fotografia © Reuters-Shaam News Network

Numa entrevista a um jornal turco, o líder sírio reconhece que o seu regime "cometeu erros".

O presidente da Síria, Bachar al-Assad, lamentou ontem a repressão no seu país, numa entrevista ao jornal turco Cumhuriyet. "Somos humanos e podemos cometer erros", admitiu Bachar, quando foi questionado sobre a violência lançada contra as primeiras manifestações pacíficas, em março do ano passado. Na mesma entrevista, o líder sírio acusou os rebeldes de serem apoiados pelo estrangeiro e declarou que dispunha de amplo apoio popular.

Segundo números compilados por organizações de direitos humanos, a repressão já fez mais de 16 mil mortos. A oposição menciona um balanço mais negro, superior a 20 mil mortos, em apenas 16 meses de repressão. Os combates entre forças governamentais e milícias rebeldes continuam com toda a ferocidade, sobretudo no norte, na província de Idleb, junto à fronteira com a Turquia.

Entretanto, em Ancara foi divulgada a deserção de mais um general sírio, que procurou refúgio na parte turca da fronteira. Este foi o 15º general sírio a desertar, desde o início da rebelião, e integrava um grupo de 66 pessoas em fuga.

O fluxo de refugiados está a afectar a relação entre os dois países, que entrou numa fase de grande tensão após Damasco ter abatido um avião militar turco, há duas semanas. Equipas de mergulhadores conseguiram detetar a grande profundidade, no Mediterrâneo, os corpos dos pilotos turcos, um capitão e um tenente. Segundo a Turquia, o caça foi destruído quando se encontrava em águas internacionais. O próprio Bachar al-Assad já lamentou o episódio.

No plano político, começa amanhã uma reunião em Paris para discutir o futuro da Síria, com a presença de mais de uma centena de delegações, embora com a ausência da Rússia e China, as duas potências que têm evitado nas Nações Unidas a condenação do regime de Damasco, que é exigida pelos ocidentais e pelos países árabes.


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