por LUMENA RAPOSO
Após décadas de campanha liderada por um desertor da Wehrmacht, o Parlamento prepara-se para ilibar condenados por tribunais militares por dizerem 'não' ao Terceiro Reich.
Ludwig Baumann, de 87 anos, prepara-se para ser, amanhã, testemunha privilegiada da decisão do Parlamento alemão: reabilitar aqueles que, durante a II Guerra Mundial, recusaram fazer parte das forças de Hitler ou que as afrontaram. São os "traidores de guerra" que os nazis condenaram e cujo nome a Alemanha democrática não limpou. A sua reabilitação acontece após os esforços de Baumann, ao longo de décadas.
"Pensávamos que depois da guerra, o que tínhamos feito seria apreciado, mas apenas fomos insultados como cobardes, criminosos e traidores", disse Baumann à imprensa. E adiantou: "E fomos ameaçados".
Este desertor da Wehrmacht, em 1942, quando se encontrava em Bordéus (França ocupada), afirmou ainda que "muitos de nós - os poucos que sobreviveram - tiveram um fim amargo e humilhante. Ninguém estava do nosso lado".
Baumann foi reabilitado em 2002, quando o Parlamento alemão decidiu revogar todas as sentenças pronunciadas pelo Terceiro Reich contra desertores e objectores de consciência. Mas o facto do seu nome ter sido "limpo" não significou que ficasse parado. Faltava-lhe fazer justiça a todos aqueles que o regime do ditador Adolf Hitler classificara como "traidores". Faltava-lhe reabilitar todos. Todos os que, por uma mera decisão da época nazi, não conseguiram encontrar, por exemplo, emprego na Alemanha democrata por terem cadastro.
Esta era a sua aposta quando, em 1990, criou a Federação Alemã das Vítimas da Justiça Nacional-Socialista e iniciou uma campanha que deve terminar amanhã com a aprovação, pelo Parlamento, do projecto-lei que conta com o apoio de todos os partidos e que iliba todos os condenados por "traição".
Baumann ou a coragem de resistir
O herói que tentou matar Hitler
vitor manuel
li a noticia no jornal e estou ...
há 1356 dias, 8 horas e 9 minutos
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