Manipulação e abusos processuais e condutas impróprias que impedem que o caso seja gerido com imparcialidade foram as principais razões apresentadas pela Pocuradoria-Geral sul-africana (NPA) para arquivar hoje o processo-crime contra o presidente do ANC, Jacob Zuma.
Ao anunciar hoje a sua decisão, em Pretória, o director-geral da NPA, Mokotedi Mpshe, recorreu, no decorrer de uma longa introdução, a excertos de escutas telefónicas apresentadas pela defesa de Jacob Zuma, nas quais o ex-director da unidade especial de investigação criminal "Scorpions", Leonard McCarthy, e o ex-director-geral da NPA, Bulelani Ngucka, discutiram em várias ocasiões os "timings" da abertura do terceiro processo-crime contra o actual presidente do Congresso Nacional Africano (ANC).
Nas conversas fica a impressão de que ambos eram motivados por uma agenda política na decisão de reabrir e quando reabrir o processo, apontando várias das conversas telefónicas para a conferência nacional do ANC em Polokwane, em Dezembro de 2007, na qual Zuma derrotou por larga margem Thabo Mbeki na eleição interna para presidir aos destinos do ex-movimento de libertação e que ocupa o poder desde 1994.
Em face das tentativas de manipulação do processo, o actual director-geral da Procuradoria concluiu que o julgamento de Zuma não serviria os interesses da justiça e que a própria dignidade e imparcialidade da instituição foram colocadas em causa.
Sugerindo que os protagonistas sejam alvo de um processo judicial, Mokotedi Mpshe concluiu que "o intolerável abuso verificado impede a continuidade do processo e força à sua descontinuidade".
O nome de Thabo Mbeki - o ex-presidente que pagou um alto preço por este processo, sendo forçado a demitir-se da Presidência em Setembro do ano passado pelo seu próprio partido - nunca foi mencionado pelo director-geral da NPA nem nas escutas, mas em algumas delas McCarthy afirmava representar "o homem grande na Shell House (a sede do ANC)", o que sugere interferência de Mbeki.
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