por LUÍS NAVES
O clima é de medo e de perigo para quem se atrever a criticar as forças armadas. O ex-primeiro-ministro Francisco Fadul está a ser tratado em Lisboa e o presidente da Liga dos Direitos Humanos, Luís Vaz Martins, teme pela sua segurança.
O presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos, Luís Vaz Martins, está sob ameaça de desconhecidos e não dorme há três noites em casa, com receio de ser alvo de violência. Um homem armado com uma pistola militar, mas que vestia à civil, entrou na quarta-feira nos escritórios da liga, em Bissau, e apontou a arma ao recepcionista, para tentar saber o paradeiro de Vaz Martins.
"As actuais chefias [militares] não estão a controlar a situação", explicou ao DN o presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos, que disse temer pela sua segurança. Este episódio segue-se a duas agressões envolvendo militares, incidentes que estão a agravar o ambiente de alta instabilidade política no país.
O antigo primeiro-ministro Francisco Fadul, actualmente presidente do Tribunal de Contas da Guiné-Bissau, foi espancado e roubado na madrugada de quinta-feira em sua casa. E, dois dias antes, o alvo foi o advogado Pedro Infanda, que chegou a ser torturado e teve de ser levado, em estado grave, para o hospital Simão Mendes, na capital guineense. Este advogado representa o ex-chefe da Marinha, Bubu Na Tchuto, acusado de dirigir um golpe no ano passado e que fugiu para a Gâmbia.
A agressão a Francisco Fadul ocorreu dois dias depois de uma conferência de imprensa onde o antigo primeiro-ministro fez graves acusações aos militares que controlam o país. O ataque foi executado por uma dezena e meia de homens fardados. Segundo uma fonte em Bissau, contactada pelo DN e que preferiu manter o anonimato, um "grupo de jovens turcos está em roda livre" na capital. De acordo com esta explicação, a chefia militar não controla alguns dos seus elementos jovens, que consideram o actual clima ideal para ajustes de contas.
A instabilidade política decorre da morte, no início de Março, do chefe do Estado-Maior, general Tagme Na Waie, e do Presidente Nino Vieira. A situação interna da Guiné-Bissau complica-se devido ao poder do narcotráfico. O país está agora nas mãos de um comité militar onde ainda não é clara a distribuição de poder. No plano civil, o governo de Carlos Gomes Júnior tem uma confortável maioria de dois terços no parlamento.
F. Franco
O Governo e o Primeiro-Ministro, ...
há 1048 dias e 27 minutos
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É espantosa a total falta de influência ...
há 1048 dias, 7 horas e 13 minutos
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