por SUSANA SALVADOR
Governo de Bogotá recusa diálogo sem cessar-fogo e anuncia um novo plano militar e social para acabar com a guerrilha
"As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia [FARC] encontram-se no pior momento da sua história, debilitadas militarmente, com o moral em baixo e repudiadas a nível nacional e internacional. Mas isso não é suficiente." Foi assim que o ministro da Defesa colombiano, Juan Manuel Santos, anunciou que Bogotá se prepara para pôr em prática o "salto estratégico", um plano militar e social que visa reduzir a guerrilha a um "factor mínimo de violência".
A nova estratégia, apresentada durante a conferência "Antiterrorismo contemporâneo, a experiência colombiana", em Bogotá, desenvolve-se em seis passos. O primeiro é a identificação (que já está feita) das áreas onde a guerrilha ainda está presente, locais onde se concentrará uma campanha militar massiva. Ao mesmo tempo, usar as informações dos serviços secretos para neutralizar o maior número de líderes das FARC.
O terceiro passo pressupõe a interligação com o sistema judiciário, de forma a garantir a condenação dos guerrilheiros capturados. Depois, e porque nos últimos anos as FARC têm sido sinónimo de narcotráfico, a aposta é continuar a luta contra o tráfico de droga, mas também a erradicação (manual ou através da aspersão) das plantações de folha de coca.
O quinto passo, referiu o ministro da Defesa, pressupõe um esforço de contenção nas fronteiras, de forma a cortar eventuais caminhos de fuga aos guerrilheiros. Uma aparente referência ao Equador e à Venezuela, países que a Colômbia acusa de darem guarida às FARC. Recorde-se, por exemplo, que um dos membros do secretariado da guerrilha, Raúl Reyes, foi morto há um ano num acampamento em território equatoriano.
Finalmente, o último passo é a "continuação do trabalho de recuperação social nos territórios que antes viviam submetidos ao império dos terroristas", explicou Santos. Tudo isto sem deixar de "enfrentar a guerra política e jurídica destes grupos que, ao verem-se superados no campo militar, optam por se infiltrar na sociedade civil ou criam shows mediáticos de libertações a conta-gotas", disse.
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