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Economia

G20 discute a ferro e fogo nova ordem mundial

por LUÍS NAVES  

Manifestações anarquistas saudaram os líderes mundiais que chegaram à cimeira do G20, em Londres. A reunião de hoje vai discutir a crise internacional e a reforma do sistema financeiro, mas os países estão divididos: França e Alemanha contestam os paraísos fiscais e todas as delegações dizem estar preocupadas com o aumento do proteccionismo

Hoje pode ser um dia histórico, caso a cimeira do G20 chegue a um acordo sobre a forma de solucionar a crise internacional. Em causa, na reunião de Londres, estará sobretudo a regulação dos mercados financeiros, o que implica negociar um novo modelo que altere as regras e inicie a reforma de instituições como Banco Mundial ou FMI. No fundo, será a redistribuição do poder financeiro global.

Cada delegação chegou a Londres com os seus próprios problemas e o seu plano para salvar a economia. Fala-se em pacotes de estímulo ao crescimento e mais coordenação, mas será difícil surgir uma grande iniciativa.

O presidente americano, Barack Obama, veio com um desafio adicional, o de garantir a liderança do seu país. "Vim aqui para a apresentar ideias, mas também para ouvir, não para dar lições", afirmou Obama. "Não podemos perder a oportunidade de liderar, de enfrentar uma crise que não conhece fronteiras".

Ontem, ainda antes do início da cimeira, Obama encontrou-se com o presidente russo, Dmitri Medvedev, garantindo avanços num acordo bilateral de desarmamento. Este acordo já seria suficiente para garantir um estatuto histórico à cimeira, mas o tema central do G20 é a incerteza económica.

Neste domínio, a primeira palavra foi dos anarquistas, que invadiram o centro financeiro da capital britânica, numa manifestação que começou por ser pacífica, mas que evoluiu para momentos mais agressivos. "Vençam a inflação, comam os ricos", dizia uma das mensagens dos manifestantes, que defendiam uma nova ordem económica. Alguns chegaram a atacar uma agência do Royal Bank of Scotland. Houve feridos ligeiros e foram detidas 24 pessoas. Ao fim da tarde, a multidão foi engrossando nas imediações do Banco de Inglaterra.


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