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Biologia marinha

Peixe dos abismos descoberto junto à Madeira

por Filomena Naves  

Peixe dos abismos descoberto junto à Madeira

Investigador português participou na descoberta

O Cetichthys indagator é um peixe dos abismos, que não chega a ter 12 centímetros. Desde que foi descoberto ao largo da África do Sul e descrito pela primeira vez, nos anos de 1950, só tinha sido avistado em outras três ocasiões. Uma expedição da Universidade de Hamburgo, na qual participou o jovem biólogo português Rui Pedro Vieira, na altura na Universidade do Algarve, encontrou-o por aqui bem perto, nas profundidades do monte submarino de Ampere, entre a Madeira e a costa algarvia.

"Foi a primeira vez que se identificou esta espécie rara de peixe no Atlântico Norte", explica ao DN Rui Pedro Vieira, actualmente bolseiro de investigação no Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM), da Universidade de Aveiro. "Foi uma emoção encontrá-lo em águas portuguesas", sublinha, mas, sobretudo, isso"contribui para o conhecimento da biodiversidade do mar profundo", adianta o jovem biólogo. A descrição do quinto peixe desta espécie a ser capturado foi publicada na edição deste mês do Jounal of Fish Biology.

A expedição decorreu em Novembro de 2010, durante cinco semanas, e foi organizada pela Universidade de Hamburgo, que convidou um investigador da Universidade do Algarve a participar. Rui Pedro Vieira, que estava na altura a fazer mestrado no Centro de Ciências do Mar da Universidade do Algarve, foi convidado pelo investigador Jorge Gonçalves para integrar a missão. "Havia uma equipa multidisciplinar e eu participei no grupo que estudou os peixes", conta.

Foi à sua bancada que foi parar o Cetichthys indagator , um peixe pouco vulgar, pelas suas cores, "de corpo castanho e barbatanas laranjas". O seu estudo mostrou a identidade da espécie, que só posteriormente, em Hamburgo acabou por ser confirmada.

A profundidade a que foi capturado é que não é conhecida, já que o método de captura, uma rede aberta, lançada a 4400 metros de profundidade e posteriormente recolhida, não permitiu fazer essa verificação. "Esta é uma espécie que vive abaixo dos mil metros profundidade, por isso sabemos apenas que foi recolhida entre essa profundidade e a dos 4400 metros", explica Rui Pedro Vieira, que é agora bolseiro de investigação na Universidade de Aveiro e continua estudar os peixes das profundidades.


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