por Flávio Gonçalves
Chegou esta semana às salas portuguesas o filme "O Meu Maior Desejo", a mais recente longa- metragem do japonês Hirokazu Koreeda, o mesmo autor de "Ninguém Sabe" e "Andando"
O segredo foi desvendado e partilhado com poucos: quando, na nova linha férrea que liga as cidades japonesas de Kagoshima e Hakata, os dois primeiros TGV se cruzarem a meio do caminho acontecerá nada mais que... um milagre. Um milagre extraordinário, sim, mas também muito simples: quem lá os estiver a ver e pedir o seu desejo mais forte então pode acreditar que ele se concretizará.
Acreditar em algo de tão caricato e quase anedótico pode, provavelmente, estar apenas reservado às crianças. É o que, pelo menos, nos parece querer dizer o realizador japonês Hirokazu Koreeda na sua mais recente longa-metragem, que acaba de se estrear nas salas de cinema portuguesas, O Meu Maior Desejo (o título original é, simplesmente, kiseki: milagre, em japonês).
Neste filme, tão leve como as memórias felizes de infância, o milagre é apenas o ponto de chegada para uma fábula que gravita sobre aquele que parece ser um dos temas centrais de Koreeda: a possibilidade de união de uma família desagregada.
Aqui, a câmara desce à altura das crianças para acompanharmos duas viagens paralelas: a do jovem protagonista de 12 anos Koichi, que vive com a mãe e avós, e a do irmão mais novo, Ryunosuke, que vive no Sul da região com o pai. O "maior desejo" do primeiro é um: reunir a família. E é o que traz no pensamento quando ele e o irmão engendram com os amigos o plano para fugir de casa e da escola e viajarem até ao destino onde os comboios se entrecruzarão.
Filme "de aventura", mas sobretudo um filme cujo olhar (e, já agora, arco dramático) o distingue de um feel-good movie formatado pelo modelo "Disney Channel". Importa, no entanto, admitir que este é provavelmente um dos filmes mais esperançosos de Koreeda.
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