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CINEMA - ESTREIAS

O fim do planeta Terra segundo Abel Ferrara

por João Lopes  

Willem Dafoe no novo filme de Abel Ferrara
Willem Dafoe no novo filme de Abel Ferrara

Figura emblemática do cinema independente americano, Abel Ferrara assina agora '4.44 Último Dia na Terra', uma parábola sobre o fim do nosso planeta.O filme estreou esta semana nos ecrãs portugueses

A trajectória criativa do cineasta americano Abel Ferrara (nascido em Nova Iorque, em 1951) escapa a qualquer padrão mais ou menos estável. Desde os tempos de The Driller Killer (1979) ou Vingança de uma Mulher (1981), impôs-se como símbolo de uma atitude de independência que, aliás, nos últimos anos, o tem levado a fazer filmes totalmente financiados por entidades europeias. Ao mesmo tempo, Ferrara possui a agilidade de um artesão clássico de Hollywood, movendo-se com grande à vontade do drama policial (Polícia sem Lei, 1992) à deambulação documental (Chelsea Hotel, 2008) passando pela parábola religiosa (Maria Madalena, 2005). O seu filme mais recente, apresentado no Festival de Veneza de 2011, chama-se 4.44 Último Dia na Terra e parte de um pressuposto de ficção científica.

Como o título sugere, 4.44 Último Dia na Terra desemboca na possibilidade de destruição do nosso planeta. Um casal, Cisco (Willem Dafoe) e Skye (Sanhyn Leigh), aguarda no seu apartamento o apocalipse que todas as televisões anunciam, oscilando entre a pintura que ela não desiste de fazer, o diário que ele continua a escrever e as comunicações com o exterior, via Internet.

Até certo ponto, Ferrara propõe um modelo de actualização da tradicional "série B", enraizando a hipótese do apocalipse em elementos muito concretos da degradação da natureza (nas televisões, sempre ligadas, surgem mesmo sintomáticas intervenções de Al Gore e do Dalai Lama). Em qualquer caso, o essencial do seu cinema, e também a sua fascinante proximidade afectiva, passa sempre pelo despojamento das relações humanas e a dramática possibilidade (ou impossibilidade) da partilha amorosa.

Nesta perspectiva, Cisco e Skye surgem como uma actualização simbólica do mito de "Adão & Eva". Na sua espera angustiada, vivem uma tragédia bíblica que, além do mais, actualiza um dos temas obsessivos do cineasta. A saber: a possibilidade de redenção, não apenas por graça da divindade, mas também a partir da capacidade de entrega entre um homem e uma mulher.

Por uma ironia bem típica dos contrastes da obra de Ferrara, o seu próximo projecto deverá abordar dramas muito mais prosaicos, anunciando-se como uma recriação ficcional do escândalo sexual de Dominique Strauss-Kahn, num hotel de Nova Iorque. Ainda não oficialmente confirmado, o filme deverá ter Gérard Depardieu e Isabelle Adjani nos papéis de Strauss-Kahn e Anne Sinclair, respectivamente.


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