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Lisboa

Mónica Calle regressa a 'A Virgem Doida'

por Maria João Caetano  

Mónica Calle em 'A Virgem Doida'
Mónica Calle em 'A Virgem Doida' Fotografia © Glória Almeida/ Global Imagens

A atriz volta ao texto de Rimbaud, que esteve na base da primeira criação na Casa Conveniente. Mas vinte anos depois tudo é diferente. Em cena até domingo.

Nua, completamente nua, perante nós, Mónica Calle regressa a "A Virgem Doida", o texto de Rimbaud com que, há 20 anos, apresentou ao público a Casa Conveniente. Nua, completamente nua, e depois vestindo-se e depois voltando a ficar nua, tal como há 20 anos, embora tudo o resto seja diferente pois o espetáculo é outro e não se trata de uma recriação, trata-se de uma procura. "A intenção nunca foi fazer uma reprodução", explica a encenadora. "Quis voltar a Rimbaud e voltar a colocar-me num sítio de questionamento, de exposição, de descoberta, de experiência. De desafio como atriz."

Foi aí que se colocou e depois deixou-se ir. Para criar, Calle tem de se sentir livre. "Só assim é que faz sentido." "Tive que fazer um grande esforço para me libertar do espetáculo de há 20 anos. Quando comecei a trabalhar percebi que o meu corpo tinha uma memória desse espetáculo, dos gestos, das palavras. E tive que fazer uma limpeza, uma descontaminação interior", conta.

Mas isso não foi suficiente. A insatisfação persistiu até poucos dias antes da estreia, quando Mónica Calle estava a reformular todo o conceito. "Não estava a conseguir colocar o espetáculo num local de violência, de prazer, de experimentação, como gostaria. Há 20 anos só fiz "A Virgem Doida", mas à medida que trabalhava percebi que para mim esse texto já não seria suficiente. Precisava de outros textos que me levassem para outros sítios." A "A Virgem Doida" juntaram-se mais textos de "Uma Cerveja no Inferno", de Rimbaud. "Em vez de fazer o percurso da "virgem doida" vou fazer o meu percurso, o percurso que Rimbaud me permite."

E explica: "Aquele espetáculo teve uma força muito grande naquela altura, mas hoje tem de ser diferente. As circunstâncias são outras, o país é outro, eu sou outra. Já não sou uma jovem de 25 anos, sou uma mulher a envelhecer, com um corpo com marcas, que teve filhos, que tem outra sexualidade, com um passado. Por isso, aquilo que era arriscado já não o é agora."

Mónica Calle escolheu o Cais do Sodré muito antes de ele estar na moda. A antiga Casa Conveniente era mais perto do mercado e tinha janelas. Esta, para onde se mudaram já há uns anos, fica mesmo em frente do Jamaica, na carismática rua Nova do Carvalho, é é um quarto escuro. Uma porta para uma casa velha, com as antigas filas de cadeira do Nacional, com os estofos vermelhos esburacados, e um bocado de chão a servir de palco. A proximidade entre o ator e o espetador é uma das marcas do seu trabalho. Ali está Mónica Calle, com os seus olhos penetrantes, a voz a tremer, tão perto de nós, a cantar a "Valsinha" de Chico Buarque enquanto veste uma saia, uma camisa, uns sapatos de alto. A causar-nos arrepios, a comover-nos.


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