por lusa
O novo álbum de A Naifa, "Não se deitam comigo corações obedientes", é um disco de luta e não de luto, depois da morte do músico João Aguardela, disse à Lusa a vocalista, Mitó Mendes.
"Não se deitam comigo corações obedientes", que sai em edição própria, é o primeiro álbum de A Naifa depois da morte de João Aguardela, um dos pilares da banda, em 2009.
No entanto, para o grupo este não é um disco de luto.
"É um disco que aponta novos caminhos para aquilo que nós somos agora e podemos ser. O João [Aguardela] vai estar sempre presente, porque nos deixou marcas. Ele está presente porque ele gostava mais de olhar para a frente do que para trás", explicou à Lusa o guitarrista Luís Varatojo.
Para Mitó Mendes, o luto pelo desaparecimento do músico foi feito com a edição do livro biográfico "Esta depressão que me anima" e com uma série de concertos em 2010.
As novas canções, feitas com a ajuda de Sandra Baptista no baixo e com Samuel Palitos na bateria, começaram a ser esboçadas logo depois do lançamento daquele livro.
"Nós acabámos por descobrir alguns caminhos e alguns métodos novos, porque o facto de não estarmos a trabalhar com o João a isso conduziu", recordou Luís Varatojo.
Ainda assim, o método de trabalho para este quarto disco foi semelhante aos três anteriores: O ponto de partida volta a ser a poesia, no feminino.
"N'A Naifa vem sempre primeiro a poesia. É o poema que guia a ação", explicou o guitarrista, elencando algumas das escritoras escolhidas: Margarida Vale de Gato e Adília Lopes.
No álbum, quase tudo o que Mito Mendes canta são "histórias de amor mas com uma atitude muito específica. Quase tudo o que é dito faz muito sentido com aquilo que nós estamos a passar e que sentimos", defendeu Luís Varatojo.
Para ele "é quase imediato" transpor as canções para o dia a dia e para "as coisas que estamos a passar neste país. Não se limitam tão só a serem histórias de amor".
"Não se deitam comigo corações obedientes", título-colagem de duas frases do escritor António Lobo Antunes, marca uma posição de A Naifa na música: "Eu sou assim e não aceito que me imponham determinadas coisas", descreveu o guitarrista.
A Naifa tomou este disco como um recomeço, uma segunda vida, e é por isso que o material inédito deixado por João Aguardela ficou de fora do novo álbum.
"Foi mais saudável fazer o que sentimos agora. Do que ir buscar coisas para trás e fazer uma manta de retalhos e não ter coerência", justificou Luís Varatojo.
O grupo tem, para já, cerca de uma dezena de concertos marcados entre março e maio, o primeiro em Arcos de Valdevez a 02 de março, e o último no Faial, Açores, a 05 de maio.
Pelo meio há ainda concertos no Theatro Circo (Braga, 03 março), Teatro Municipal São Luiz (Lisboa, 07 de março), Casa da Música (Porto, 12 de abril) ou Teatro Municipal de Almada (20 abril).
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