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Ute Lemper viaja desde Berlim a Nova Iorque em Lisboa

 

Ute Lemper viaja desde Berlim a Nova Iorque em Lisboa

Cantora de origem alemã actua hoje e domingo (19.00) ao lado da Orquestra Gulbenkian no Grande Auditório da Fundação. Na bagagem, 'cabaret', Broadway, Jacques Brel e Edith Piaf.

De si própria diz: "Sou um ser humano romântico, mas na arte não quero produzir nada de romântico. Se me puserem num 'fato' romântico, serei fraca actriz. Para mim, quanto mais negro, melhor - diria mesmo: negro como o inferno!" É assim Ute Lemper (n. 1963), cantora global dos repertórios de cabaret, chanson, music-hall//Broadway, só para citar os que mais a celebrizaram. E, desde há cerca de uma década, ela própria autora (compositora e letrista) de temas originais.
Hoje e no domingo, sempre às 19.00, Ute actua com a Orquestra Gulbenkian, dirigida pelo seu titular, Lawrence Foster. O programa intitula-se De Berlim a Paris, mas podia ter uma "extensão" a Nova Iorque, em cuja "órbita" termina.
Consciente do seu lugar na tradição que representa, afirma desejar ser lembrada como "embaixadora e intérprete do 'Grande Cancioneiro Europeu', de Weill a Piaf e a Ute Lemper".
Weill. Kurt Weill (1900-1950) foi o compositor que primeiro estabeleceu a reputação mundial de Ute Lemper (até aí, a celebridade advinha sobretudo de interpretações marcantes em musicais como Cats, Cabaret ou Chicago, que lhe valeram inclusive vários prémios) e que fez dela a nova musa das canções de Weill e lídima herdeira da grande Lotte Lenya. Lemper diz que prefere as canções "trágicas e negras" de Weill, a maior parte escritas no exílio (pós-1933), posteriores ao período dourado de colaboração com Bertolt Brecht (Mahagonny, Três Vinténs,...). Descreve-as como "plenas de uma Sehnsucht [anseio vago, indefinido] em que o romantismo é sempre interrompido, quebrado, tornado agressivo, nunca se tornando sentimental". Certa vez, cantando Weill numa pequena sala em Nova Iorque, alguém vociferou da plateia: "Goddamn it, she's singing songs of this Communist!"
Na Gulbenkian, esse pendor sentimental sempre temperado com melancolia, negritude, cepticismo ou desespero estará bem presente... nas canções de Weill, claro está, mas também nas canções de Brel ou naquelas celebrizadas na voz de Edith Piaf. E o pendor mais declaradamente político nas de Hanns Eisler.
Weill, os clubs e café-concerts da Paris de l'après-guerre... e os cabarets da fervilhante Berlim de l'avant-guerre (antes dos nazis seria mais exacto). O outro repertório de que Lemper se "apropriou" e se tornou a mais reconhecida herdeira mundial. E aqui surge a aparição glamorosa de Marlene Dietrich. Ambas exiladas voluntárias da Alemanha natal, ambas com relações problemáticas com a sua pátria, ambas estabelecidas nos EUA ( Lemper reside em Nova Iorque com os seus três filhos, que não raro leva nas suas digressões).
Dessa memória incluiu Lemper duas das mais famosas canções a que la Dietrich ficou associada: a balada Lili Marleen e a vivaça Ich bin die fesche Lola. Sublinhe-se que na Lili, Lemper será acompanhada pela pianista Inês Mendes e pelo acordeonista Paulo Jorge Ferreira. E haverá um candeeiro?...
Pintora amadora, dizia dos seus quadros que eram "golpes de martelo" intuitivos e expressionistas, mas quem os via que "davam três dias de depressão"... Ouvi-la cantar é bem mais terapêutico. Outro tipo de songs in the key of life [Stevie Wonder], na sua opinião, o melhor álbum de sempre.


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