Papa pede "reconciliação" nesta "atmosfera de terceira guerra mundial" que vivemos

Avião da Alitalia que levava Francisco aterrou no aeroporto José Martí, em Havana, ainda antes das 16:00 locais (21:00 em Lisboa).

Na sua primeira visita a Cuba como Papa, Francisco foi recebido no aeroporo pelo presidente Raúl Castro. Depois de ser surpreendido pelo vento a descer as escadas do avião que o levou de Roma a Havana, o Papa recebeu presente de um grupo de crianças.

Num palanque preparado em plena pista, diante do avião onde chegou, Francisco foi o segundo a falar, depois de um discurso em que Raúl Castro falou de desigualdade e agradeceu a mediação do Papa na aproximação entre Cuba e EUA.

Cuba pôs-se ventosa para receber o Papa

Em espanhol, Francisco começou por agradecer as boas vindas e pedi a Raúl que transmita o seu "respeito e consideração" ao irmão Fidel. O papa argentino sublinhou a "vocação de Cuba como ponto de encontro dos povos". Pegando na reaproximação entre Cuba e Estados Unidos, Francisco disse esperar que seja um exemplo e afirmou que "o mundo precisa de reconciliação nesta atmosfera de terceira guerra mundial por etapas" que estamos a viver.

Raúl Castro começou por sublinhar o "sentimento de afeto" com que o governo e o povo cubano recebem o Papa. O presidente cubano saudou ainda as palavras de Francisco contra as desigualdades sociais. "Para conseguir uma sociedade mais justa trabalhámos com muito esforço, fizemo-lo bloqueados e caluniados", afirmou Raúl Castro, sob o olhar atento do Papa.

Após longos minutos, Castro agradece o papel do Papa na reaproximação entre Cuba e Estados Unidos e critica o embargo "ilegal e imoral" que se mantém em vigor.

Mediador da aproximação entre Cuba e Estados Unidos, Francisco vai poder constatar no terreno a evolução da recente abertura entre os dois países que até já reabriram as respetivas embaixadas. Aos 78 anos, o chefe da Igreja Católica apoiou as negociações de bastidores entre Havana e Washington, tendo trocado cartas com os presidentes Raúl Castro e Barack Obama.

Com uma agenda muito carregada, o papa argentino vai pronunciar 26 discursos: oito em Cuba e 18 nos Estados Unidos.

Até terça-feira, o papa estará em Cuba, com passagens por Havana, Holguin e Santiago, para encontros com jovens, famílias, bispos e, provavelmente, o líder histórico do regime Fidel Castro.

Três visitas papais em 17 anos mostram a atenção excecional do Vaticano a este país, onde o regime e a Igreja católica se congratulam com o apoio do papa à normalização das relações diplomáticas com os Estados Unidos.

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