23 ex-ministros e secretários de Estado já passaram pela CGD

Administrações da Galp e EDP já tiveram 13 ex-governantes cada na chefia de empresas dos seus grupos. No entanto, a campeã é a 'pública' Caixa Geral de Depósitos, que já albergou 23 ministros ou secretários de Estado. Segue-se a PT com 19. Alguns continuam nos cargos, como é exemplo do actual presidente da CGD, Fernando Faria de Oliveira.

O que têm em comum Armando Vara, Fernando Faria de Oliveira, Carlos Tavares ou Luís Mira Amaral? Todos foram ministros e administradores da Caixa Geral de Depósitos (CGD). O banco estatal é aliás um dos maiores empregadores de ex-governantes. O DN contabilizou 23 ex-ministros ou secretários de Estado que, depois de ocuparem o cargo, desempenharam funções nos órgãos sociais do Grupo Caixa.
Desde presidentes, vice-presidentes, até "simples" membros do Conselho de Administração, são vários os governantes que passaram pelas empresas da Caixa Geral de Depósitos.
O actual presidente da CGD já é o terceiro que ocupa esta função, após ter passado pelo Governo. Como Fernando Faria de Oliveira (que foi ministro do Comércio do PSD entre 1990 e 1995), também Luís Mira Amaral (ministro dos governos de Cavaco Silva, entre 1985 e 1995) e António de Sousa (secretário de Estado das Finanças entre 1993 e 1994) chegaram ao topo do banco estatal após desempenharem funções governativas.
O Conselho de Administração da CGD foi também o destino do ex-ministro do PS, Armando Vara, em 2005. O cargo foi ocupado cinco anos após o socialista ter sido ministro da Juventude no governo de António Guterres. Até então, a única ligação ao mundo bancário resumia-se à condição de funcionário de balcão numa dependência da CGD em Mogadouro.
Já a ex-ministra da Justiça do Governo PSD-CDS, Celeste Cardona (2002-2004), entrou no mesmo organismo meses após sair do governo. Na sequência da demissão de Durão Barroso, o governo foi dissolvido em Julho. No final de Setembro, um governo das mesmas cores políticas nomeava Celeste Cardona administradora da Caixa.
Na altura, o PS reclamou no Parlamento, dizendo que era uma nomeação "pouco prestigiante da classe política". Ou seja: o mesmo que PSD e CDS costumam fazer quando os papéis se invertem, sendo estes acontecimentos cíclicos.
Depois da Caixa Geral de Depósitos, a PT, a EDP e a GALP seguem-se no rol de grandes empresas que mais ex-ministros albergam. Pela PT passaram 19 ministros, antes e depois da privatização. E alguns chegaram ao topo. Francisco Murteira Nabo, ministro do Equipamento Social do governo PS (entre 1995 e 1996) é um desses exemplos. No ano em que saiu do governo tornou-se presidente da empresa, cargo onde ficou até 2003.
Já os secretários de Estado Franquelim Alves (do governo PSD-CDS entre 2003 e 2004) e Norberto Fernandes (do governo PS, entre 1995 e 1997) ocuparam cargos no Conselho de Administração da PT meses após saírem do governo.
No grupo EDP, além de Mexia (ver texto das págs. 3 e 4) destaca--se Luís Braga da Cruz que, no ano (2002) em que deixou de ser ministro da Economia do governo PS, tornou-se presidente da EDP Enernov. No total foram 13 os governantes a passar pelas empresas do grupo EDP. Daniel Bessa, Fernando Gomes (ambos PS), Rui Machete e Ferreira do Amaral (PSD) fazem parte desse lote.

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