Ordem dos Médicos ameaça com queixa judicial

 Farmácias passam a propor troca de medicamentos por genéricos, contra prescição médica. Os clínicos dizem que a prática é "crime" 

As farmácias vão propor aos utentes trocar os medicamentos prescritos pelo médico por genéricos mais baratos. Em resposta, a Ordem dos Médicos (OM) ameaça levar o caso ao Ministério Público e desafia a Associação Nacional de Farmácias (ANF) a cortar na sua margem de lucro.

A medida da ANF passou à prática ontem, mas as farmácias visitadas pelo DN ainda não estavam a sugerir a troca de medicamentos aos utentes, que na sua maioria concordam com a proposta. João Cordeiro, dirigente da ANF, garante que a medida visa responder à crise (ver texto em baixo).

A OM reagiu dizendo que a proposta é um "crime". E o vice-presidente da OM, João de Deus, acrescentou ao DN, que se a ANF "estivesse preocupada com crise podia abdicar da sua margem de 10%, baixando assim o custo de todos os medicamentos".

Já o bastonário dos médicos, Pedro Nunes, apelou, em declarações à Lusa, para que os médicos denunciem ao Ministério Público todas as situações de substituição de remédios de que tenham conhecimento.

João de Deus explica ao DN que "segundo a lei a substituição de medicamentos só pode ser autorizada pelo médico e pelo doente. Precisa de uma dupla autorização, sendo ilegal se só tiver uma".

O responsável, respondendo às queixas de utentes que ao DN contaram que os médicos não perguntam se querem genéricos, faz ainda questão de sublinhar que "a OM recomenda aos médicos que prescrevam sempre os medicamentos mais baratos, entre os que têm a mesma eficácia".

"Os médicos deviam ter a noção das necessidades dos doentes e perguntar-lhes se podem pagar o tratamento", conta Fernanda Varela, 33 anos, à saída da farmácia.

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