Doentes de Alzheimer não têm genéricos

A medida do Governo de comparticipar a 100% não abrange os pensionistas com Alzheimer porque não há genéricos para esta doença, que atinge 70 mil portugueses. De resto, todos aplaudem a iniciativa.

A doença de Alzheimer, uma das mais caras dos idosos, e que afecta, no mínimo, 70 mil portugueses não tem genéricos disponíveis no mercado. Por isso, os reformados com esta doença não podem beneficiar da medida ontem anunciada pelo Governo, e dada em primeira mão pelo DN, que contempla a comparticipação total dos genéricos para quem recebe pensões inferiores a 450 euros.

"Em Portugal não há genérico nenhum do Alzheimer. Há poucas substâncias activas, todas caras e por isso, esta medida não abrange os portugueses com esta doença", alerta António Ramos Costa, director executivo da Associação Portuguesa de Familiares e Amigos de Doentes de Alzheimer.

Aliás, a associação está a preparar um conjunto de medidas para sensibilizar os políticos para os custos sociais do Alzheimer.

Há medicamentos para esta doença que chegam a custar mais de 100 euros e a comparticipação do Estado, refere Ramos Costa, ficas-se pelos 52% para pensionistas ou 37% para os utentes do Serviço Nacional de Saúde ou ADSE.

No entanto, para que os doentes tenham direito a à comparticipação é necessário que a receita tenha sido prescrita por psiquiatra ou um neurologista. "Se for receitado por um médico de família não tem comparticipação nenhuma. E isto é logo uma barreira para os doentes pois às vezes não têm tempo para ficar na lista de espera para uma consulta de psiquiatra ou neurologia e têm de pagar pagam na totalidade ou recorrer a consultas privadas", critica Ramos Costa.

Segundo dados da associação, baseados em informação do Instituto Nacional da Farmácia e do Medicamento, o custo anual da terapêutica pode variar entre os 620,50 e 4 015,00 euros.

Ao todo, há seis medicamentos diferentes para esta doença. O mais caro é o Ariset e uma embalagem de 56 comprimidos de 10 mg custa 182,52 euros. Para o pensionista de senha verde (pensão inferior a 450 euros) o medicamento custa 87,61.

"Os custos são muito mais elevados, pois além dos medicamentos é preciso pagar as fraldas, babetes e o apoio de pessoas", disse ao DN Joaquina Ferro, que há vários anos está 24 horas com a mãe, doente de Alzheimer, com quem chegou a gastar 500 euros por mês.

De resto, a maioria dos problemas que afectam os mais velhos têm genéricos disponíveis É o caso da osteoporose, angina de peito, colesterol, prevenção de AVC e tromboses, depressão, entre outras. O parkinson, uma doença que atinge 20 mil portugueses, tem genéricos. No entanto, não há para todas as substâncias activas. " Há genéricos muito recentes para o parkinson", congratula-se a presidente da direcção da Associação Portuguesa de Doentes de parkinson, Irene Machado.

A medida do Governo permite que um milhão de pensionistas (com pensões inferiores ao ordenado mínimo) tenham genéricos gratuitos e custará no mínimo aos cofres do Estado 35 milhões de euros - valor que aquele um milhão de pensionistas gastam por ano com genéricos.

Ontem, José Sócrates explicou que a medida foi aprovada por "uma razão de justiça" e acrescentou: "O país que eu ambiciono e pelo qual luto é um país onde não é possível que nenhum idoso faça uma escolha entre comprar um medicamento ou qualquer outro tipo de despesa. Não quero que isso aconteça".

O bastonário da Ordem dos Médicos, Pedro Nunes, considerou a "medida muito positiva: "Se há pessoas que têm reformas abaixo do ordenado mínimo nacional, para quem a factura do medicamento pode significar não comer, é evidente que essas pessoas têm de ser apoiadas pela solidariedade nacional".

Do lado das farmácias também aplaudiram a medida. A ANF (associação nacional de farmácias) disse que a comparticipação total revela que o executivo "não está capturado pelos interesses da indústria dos medicamentos de marca" a a Ordem dos farmacêuticos classificou a medida como um "'balão de oxigénio' para muitos dos doentes que se viam na impossibilidade de adquirir todos os medicamentos prescritos". Segundo o Governo, a cota de genéricos é de "14 por cento".

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