Pais mantêm esperança de encontrar a criança viva

Dois anos depois do desaparecimento de Madeleine McCann de um apartamento turístico da Praia da Luz, e com o processo arquivado pelo Ministério Público, sem rasto da menina ou suspeitos, os pais mantêm a esperança de encontrar a criança viva.

Madeleine McCann, na altura com três anos, desapareceu na noite do dia 03 de Maio de 2007, do quarto onde dormia, com dois irmãos gémeos, de um apartamento do aldeamento turístico "Ocean Clube", na Praia da Luz (Lagos).

Enquanto as três crianças permaneciam sozinhas no apartamento, os pais, Kate e Gerry McCann, jantavam com um grupo de amigos, no restaurante do aldeamento, a cerca de 50 metros.

O desaparecimento da menina assumiu proporções mundiais, tendo "alimentado", diariamente e ao longo de vários meses, os noticiários de rádios, televisões e jornais do planeta, mas nunca chegou a ser esclarecido.

A Polícia Judiciária (PJ), que inicialmente admitiu o rapto, virou o rumo da investigação, em Agosto de 2007, para a possível morte da criança, com as suspeitas a recaírem sobre os pais, Gerry e Kate McCann, ambos médicos.

A reviravolta na investigação baseou-se em vestígios biológicos recolhidos no apartamento e no carro alugado pelo casal McCann, 25 dias depois do desaparecimento da sua filha.

Os indícios foram recolhidos com a ajuda de dois cães da Polícia inglesa, "peritos" em detectar sangue e odor a cadáver, e analisados no laboratório forense britânico, em Birmingham.

Apesar da reviravolta na investigação, as análises aos vestígios encontrados não permitiram concluir se seriam ou não da criança, como foi confirmado pelo então director nacional da PJ, Alípio Ribeiro.

Em Setembro de 2007, ao receber os resultados das primeiras análises forenses, a Polícia Judiciária passou a centrar as suspeitas no casal McCann - por ocultação do cadáver -, apontando a morte como "a causa provável para o desaparecimento da menina".

Kate e Gerry McCann alegaram sempre que a filha "tinha sido raptada".

Segundo o casal, "não há nada, nenhuma prova que sugira que lhe foi feito mal, há boas razões para pensar que ela está algures viva", garantindo "não descansar, até a encontrarem".

Decorridos dois anos - cumprem-se hoje -, muitas pessoas interrogam-se sobre o que "realmente" aconteceu à menina, apesar do então coordenador da Polícia Judiciária (PJ) de Portimão, Gonçalo Amaral, que dirigiu a investigação, defender a tese de que "a criança morreu no apartamento naquele dia".

O ex-coordenador da PJ, afastado do processo na sequência de críticas ao comportamento da Polícia inglesa, "incriminou" Kate e Gerry McCann no desaparecimento da sua filha, mas nunca conseguiu reunir provas que sustentassem o seu envolvimento no caso.

A convicção de Gonçalo Amaral, expressa no livro "Maddie - A verdade da mentira", não foi corroborada pelo Ministério Público, que em Julho de 2008 decidiu arquivar a investigação do processo com milhares de páginas, sem rasto da menina, suspeitos ou acusados.

Perante a falta de provas e indícios que pudessem revelar o paradeiro de Madeleine McCann, os pais, que recusam admitir a sua morte, prometem relançar a campanha para encontrar a filha, no famoso programa de Oprah Winfrey, na televisão norte-americana.

A entrevista, já gravada, vai ser difundida, precisamente, no dia em que se completam dois anos sobre o mistério do desaparecimento de Madeleine McCann.

JPC.

Lusa

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