McCann presentes no julgamento de proibiçãode venda de livro



Kate e Gerry McCann vão estar presentes sexta-feira, em Lisboa, no início do julgamento da providência cautelar de proibição de venda do livro "Maddie - A Verdade da Mentira", de Gonçalo Amaral, disse hoje à Lusa fonte ligada à família inglesa.

Nas sessões de 11, 14 e 16 de Dezembro, na 7.ª Vara do Tribunal Cível de Lisboa, no Palácio da Justiça, a defesa de Gonçalo Amaral, ex-inspector da Polícia Judiciária (PJ), autor do livro, vai apresentar oposição à argumentação da família McCann que fundamentou o procedimento cautelar temporário decretado a 09 de Setembro.

Kate e Gerry McCann, representados pela advogada Isabel Duarte, alegam que o livro e o vídeo baseado na obra divulgam a tese de Gonçalo Amaral, considerada por eles insustentável, de envolvimento dos pais de Maddie no seu desaparecimento.

Por isso, pediram ao tribunal a retirada do mercado, embora com carácter provisório, do livro e do vídeo produzido após documentário exibido na TVI.

A este processo, em que além do ex-agente da PJ são visadas a editora "Guerra & Paz", a produtora Valentim de Carvalho e a TVI, por divulgação da tese de Gonçalo Amaral, está anexa a acção principal, em que a família McCann reclama protecção de direitos, liberdades e garantias.

Os pais da criança inglesa desaparecida em 03 de Maio de 2007 do quarto de um apartamento num aldeamento turístico na Praia da Luz, no Algarve, apresentaram outra acção contra Gonçalo Amaral, com a acusação de declarações consideradas difamatórias, na qual pedem uma indemnização de, pelo menos, 1,2 milhões de euros.

Segundo o advogado britânico da família, Ed Smethurt, os pais de Madeleine McCann defendem que Gonçalo Amaral produziu afirmações "contínuas e grosseiras", em Portugal e no estrangeiro, sobre o desaparecimento da criança.

No âmbito deste processo, foi pedida uma medida cautelar de arresto de bens, ainda não concretizado e a aguardar cumprimento de diligências.

Gonçalo Amaral é acusado de ter lucrado "quantidades obscenas de dinheiro por vender essa teoria através do seu livro e em entrevistas" e de ter prejudicado "donativos, novas pistas, investigações, informações e testemunhos" sobre o desaparecimento da criança.

O livro "Maddie - A Verdade da Mentira", o mesmo título do documentário exibido na TVI, foi publicado em 2008 e lança a suspeita de que os pais da criança inglesa, que se encontrava de férias com os pais e os irmãos na Praia da Luz, terão participado na ocultação do cadáver.

Na qualidade de coordenador do Departamento de Investigação Criminal da PJ de Portimão, Gonçalo Amaral integrou a equipa de investigadores que tentou apurar o que aconteceu a Madeleine.

Depois da constituição de Robert Murat como arguido, Kate e Kerry McCann, que sempre mantiveram a posição de que Maddie foi raptada, foram constituídos arguidos em Setembro de 2007.

Mas, tal como o cidadão luso-britânico, o casal inglês foi ilibado em Julho de 2008 por falta de provas para sustentar a hipótese avançada pelo inquérito de morte acidental da menina.

O Ministério Público acabou por arquivar o processo, que poderá ser sempre reaberto se surgirem novos dados considerados consistentes sobre o desaparecimento da criança.  

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