Apoiantes de Alegre justificam-se com a crise económica

O histórico do PS assumiu em exclusivo a responsabilidade pela derrota (19,8%, resultado inferior  ao da sua candidatura de 2006). Contudo, no Hotel Altis  fizeram-se ouvir de imediato vozes, como as de Helena Roseta e Ana Gomes, afirmando que a candidatura foi  atingida pelos efeitos da austeridade. E das divisões no PS.

Manuel Alegre assumiu a derrota como sendo toda sua ("a derrota é minha, não é daqueles que me apoiaram"), mas logo a seguir uma das suas principais conselheiras e apoiantes, Helena Roseta, veio desmenti-lo, recusando colocar no poeta todo o ónus do fracasso: "A responsabilidade é de toda a candidatura. Todos podiam ter feito mais."

"Fica-lhe bem [a Alegre] dizer aquilo. É como o treinador que diz que a culpa é dele quando a sua equipa perde. Mas sabemos que às vezes são os jogadores que se portam mal", considerou . Para a vereadora, "a candidatura sofreu com o descontentamento" popular resultante da crise e das medidas de austeridade aprovadas - foi essa "a maior dificuldade a que fez frente".

E, além do mais, "o PS estava dividido" e "houve dirigentes que nunca concordaram" com a candidatura do histórico, disse Roseta, dando o exemplo de declarações ontem à noite de António Vitorino, que considerou o resultado de Alegre "abaixo das expectativas". Ana Gomes pronunciou-se também à Lusa num sentido semelhante ao de Helena Roseta: "O apoio do PS foi inequívoco, a direcção do PS e do grosso dos militantes do PS. Houve, como sabemos, no entanto, elementos do PS que não aceitaram nunca a decisão e que, inclusivamente, patrocinaram candidaturas alternativas, não só a de Defensor Moura, mas também a de Fernando Nobre."

O candidato - que fez do Hotel Altis a sua sede de candidatura na noite eleitoral, cumprindo uma velha tradição socialista - iniciou a sua declaração de derrota pelas 21h47, tendo sentado na assistência José Sócrates. Depois de dizer que tinha acabado de "felicitar o candidato vencedor", assumiu "pessoalmente esta derrota". "Quem falhou fui eu", disse, recusando assim partilhar responsabilidades com os partidos que o apoiaram ou com, em particular, o Governo.

"A derrota é minha, não é daqueles que me apoiaram", disse ainda, consideração que reforçaria umas frases adiante, especificando seu partido: "Não foi o PS que perdeu este combate. Quem perdeu fui eu." Para o seu partido e respectivo líder deixaria ainda outra declaração: "Saúdo o PS e muito especialmente o meu camarada José Sócrates." Desvalorizou também as divisões no seu partido: "Isto não tinha graça nenhuma se estivéssemos todos de acordos [no PS]. Esta é a sua força."

O histórico socialista saudou também Francisco Louçã e ainda os dois principais organizadores da sua campanha, os deputados Duarte Cordeiro, do PS, e Jorge Costa, do BE. Até foi gentil com Cavaco Silva. A abstenção "em nada diminui a sua legitimidade".

Também não quis comentar as dificuldades que resultaram de ser apoiado por forças antagónicas entre si, PS e Bloco de Esquerda: "Nunca fui calculista, sempre travei os combates nos momentos em que era preciso. Já ganhei muitos combates, já perdi outros." E "em democracia não é vergonha perder, vergonha é fugir ao combate".

Quanto ao seu futuro político (ler página 8), Manuel Alegre foi parco em revelações: "Continuarei a lutar civicamente pela democracia, pelos valores da esquerda e por Portugal."

Últimas notícias

Recomendadas

Contéudo Patrocinado

Mais popular