Jerónimo de Sousa: "não nos calarão"

A CDU teve ontem o seu comício mais agitado da campanha, com um grupo de estudantes a reclamar a limpeza das Escadas Monumentais com palavras de ordem e assobios que levaram Jerónimo de Sousa a dizer: "não nos calarão".

No palco montado no fundo das escadas pintadas desde domingo com mensagens da CDU, sobrepondo-se aos assobios, o secretário-geral comunista começou por lembrar que o PCP conheceu ao longo da história "o silenciamento, a provocação, a proibição".

"Aqueles que o fizeram e que transportam até hoje esse anátema que marcou a nossa história, é importante que saibam que não nos calarão", declarou.

Ao longo de hora e meia, estudantes no primeiro lanço da escadaria e comunistas no resto do espaço mantiveram um ambiente tenso, que por várias vezes ameaçou chegar a "vias de facto".

Valeram militantes comunistas que foram mantendo a calma entre os camaradas mais exaltados, um dos quais ia chamando "fascistas" aos estudantes, criticando-lhes "as bebedeiras".

Entre alguns estudantes e militantes que fizeram um cordão humano separando-os do resto da assistência do comício iam-se verificando discussões acaloradas

Um dos estudantes disse aos jornalistas que a escadaria tem um "significado importante" para os alunos, que não gostaram de ver "símbolos políticos a aproveitarem-se da sua luta".

Admitiu que as mensagens - que defendem o fim das propinas e do processo de Bolonha - até são causas partilhadas pelos estudantes, mas afirmou que as pinturas foram "uma provocação".

Outro fez questão de dizer que não era "uma questão partidária" que movia os estudantes, que estariam ali fosse qual fosse a força política.

Quando confrontado com o facto de há 30 anos as Escadas Monumentais serem pintadas, afirmou que "não tinha reparado antes".

Depois do fim do comício, os estudantes mudaram-se para a base das escadas, junto aos militantes que restavam e a equipa de montagem do palco.

Ali continuaram a gritar "Coimbra é nossa!", segurando cartazes que entre outras mensagens diziam "Jerónimo, vou pintar a tua casa!", até desmobilizarem por completo.

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