Espionagem americana ajudou a localizar Txeroki

Fontes dos serviços secretos espanhóis, citadas por jornais como 'El Mundo', confirmaram que a ajuda da Agência Nacional de Segurança dos EUA foi preciosa para chegar ao líder militar da ETA, que foi detido segunda-feira numa localidade francesa e que deverá ser agora extraditado para Espanha.

A Agência Nacional de Segurança norte-americana, a NSA, esteve na origem da primeira pista que conduziu à localização e detenção, na segunda-feira, na França, do dirigente do aparelho militar da ETA , noticiaram ontem alguns jornais espanhóis. A agência de espionagem especializada na intercepção de comunicações e descodificação de mensagens detectou dois endereços de correio electrónico suspeitos de serem utilizados por Txeroki e transmitiu a informação aos serviços secretos espanhóis, o CNI, que depois de a analisarem a transmitiram à Guardia Civil.


Esta, em conjunto com a polícia francesa, conseguiu localizar o sítio onde o etarra se encontrava com a sua companheira, Leire López, através do carro que usavam nas deslocações: um Peugeot 207, roubado no dia 6, com matrícula falsa, impossível de existir, como lembrou o ministro do Interior espanhol. A matrícula chamou a atenção por ser das antigas, enquanto o veículo era praticamente novo. Txeroki, obcecado com a segurança do aparelho militar, parece ter-se esquecido deste pormenor.


O dirigente etarra e a sua companheira sentimental foram ontem transferidos da localidade de Cauterets, nos Pirenéus, para Paris. Ao longo deste ano foram presos em França 36 membros da organização terrorista basca, indicou ontem, citada pela AFP, a ministra do Interior francesa, Michèle Alliot-Marie. Txeroki pode ser extraditado a qualquer momento. O etarra enfrenta em Espanha 22 acusações, entre as quais a da morte de dois guardas civis em Capbreton, França, há um ano, mais a da autoria do atentado contra o parque de estacionamento do novo terminal do aeroporto internacional de Barajas, em Madrid, em 2006. Acresce o facto de, na altura da detenção, que ocorreu enquanto dormia em casa, Txeroki ter em sua posse armas, dinheiro, computadores. A isto Alfredo Pérez Rubalcaba acrescentou ontem cem gramas de haxixe.


Falando à imprensa, durante a manhã, o ministro do Interior espanhol desvalorizou a informação sobre o envolvimento da NSA. "Trabalhamos muito e bem com os serviços de informações americanos, mas neste caso, não", declarou o governante socialista, que na véspera já tinha afirmado não ser segredo que o etarra "recorria a cibercafés". Não admira que o ministro queira distanciar-se da NSA, pois apesar de surgir rodeada de grande secretismo, a agência americana já esteve envolvida em vários escândalos. O mais recente tem três anos e estourou quando o New York Times denunciou que a agência estava a espiar as comunicações electrónicas de cidadãos americanos muçulmanos. As intercepções, feitas sem ordem judicial, tinham sido decretadas por George W. Bush e violavam as normas de funcionamento da NSA. Esta esteve ainda envolvida na rede Echelon, na qual EUA, Reino Unido e Austrália colaboraram na intercepção de comunicações oriundas de várias partes do mundo.

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