Khalid Sheik Mohammed: o jihadista que reivindica o 11 Setembro

"Eu fui responsável pela operação do 11 de Setembro de A a Z".


A tão aguardada confissão foi feita por Khalid Sheikh Mohammed, em Março de 2007, em Guantánamo, numa audiência à porta fechada que depois foi divulgada aos media pelo Pentágono.

Além dos atentados terroristas que mataram quase três mil pessoas há sete anos, reivindicou ainda, segundo a transcrição da audiência, acções como o ataque contra o World Trade Center, em 1993, a operação Bojinka, a morte do jornalista Daniel Pearl ou a operação bomba nos sapatos, realizada em 2003, por Richard Reid. Estas confissões suscitam, no entanto, dúvidas aos serviços secretos ocidentais, pois muitos consideram impossível um só homem estar na origem de tantas acções e pensam que ele quer apenas tentar proteger outros terroristas e continuar, atrás das grades, a obra da sua vida. Mohammed, de 43 anos, viveu sempre como jihadista e assim quer morrer, caso seja condenado à pena capital pelo tribunal militar de excepção a que foi presente quinta-feira.


Natural do Koweit, de uma família paquistanesa do Baluchistão, Mohammed integrou a Irmandande Muçulmana aos 16 anos e, algum tempo depois, foi estudar para os EUA. Formou-se em engenharia mecânica numa universidade da Carolina do Norte, em 1986, mas decidiu ir dar o seu contributo na jihad anti-soviética que decorria no Afeganistão. Ali conheceu Abdul Rasul Sayyaf, um próximo de Massoud, que seria o seu mentor, refere o relatório da comissão americana que analisou o 11 de Setembro de 2001. Após a derrota afegã dos soviéticos, partiu então para o Qatar, onde trabalhou como engenheiro do Ministério da Electricidade e da Água até ao ano de 1996. A partir deste emirado enviou dólares para Nova Iorque, para apoiar o atentado ao World Trade Center, que fez seis mortos e mais de mil feridos e foi planeado pelo seu sobrinho Ramzi Yussef. Os dois encontraram-se, depois, nas Filipinas, para montar a operação Bojinka. Esta consistia em fazer explodir uma dúzia de aviões comerciais sobre o Pacífico e só foi descoberta por causa de um incêndio que levou à descoberta de um dos seus computadores.

O encontro com Ussama ben Laden, determinante, deu--se em 1996, em Tora Bora. Na altura, segundo testemunhos, Mohammed propôs ao número um da Al-Qaeda um ataque contra o World Trade Center para terminar aquilo que o seu sobrinho havia começado. Três anos mais tarde integrou, totalmente, a rede de Ben Laden, mas manteve sempre alguma autonomia, pois escondia a sua relação com o campo anti-talibã de Sayyaf.

Apesar de ter idealizado os ataques, mais uma vez com aviões, o financiamento veio do líder da Al-Qaeda, bem como a escolha do suicida que iria liderar a missão terrorista, ou seja, Mohamed Atta.

Após os ataques, que deixaram o mundo em estado de choque, Khalid Sheik Mohammed admitiu, em 2002, o seu envolvimento numa entrevista que deu à televisão Al-Jazeera. A 1 de Março do ano seguinte era preso, em Rawalpindi, pelas forças paquistanesas. As suas imagens de recém-acordado, com cabelo desgrenhado, correram mundo. Algum tempo depois desapareceu do Paquistão e foi levado para uma das prisões secretas da CIA.

Voltou a dar sinal de vida já em Guantánamo, para onde foi transferido, no final de 2006.

Foi então que confessou tudo, até que fora ele quem decapitara Daniel Pearl, em 2002: "Eu decapitei com a minha abençoada mão direita a cabeça do judeu americano. Quem tiver dúvidas e queira confirmar basta ver as imagens que estão na Internet". A verdade é que nas imagens não se vê a cara da pessoa que segura a cabeça do jornalista.

Além de Mohammed ter tendência para exagerar a realidade, como diz a Comissão do 11 de Setembro , pesa o facto de ele ter sido submetido a técnicas de interrogatório consideradas como tortura, sendo a mais conhecida e controversa simulação de afogamento. Os advogados de defesa pretendiam, por isso, que as provas apresentadas fossem anuladas por serem ilegais. Mas Mohammed indicou, na quinta-feira, que pretende assegurar a sua própria defesa, para conseguir morrer como mártir.

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